segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Days ago

       


         Talvez seja tão estranho escrever sobre isto, mas fazia tempo que não sentia essa emoção conforme presenciei há poucos domingos atrás. Posso não ser fã número um do Domingão do Faustão, muito menos do Fausto Silva que me irrita profundamente ao bombardear os convidados com tantas perguntas sem dar espaço para as respostas. Acontece que, atirada na poltrona da sala, curtindo um clássico romance americano, escuto o apresentador anunciar a homenagem que em breve seria feita para a Fernanda Montenegro, para que pudesse receber seu importante troféu Mario Lago. 
        Optei por dar uma trégua na leitura para prestigiar uma atriz que admiro tanto. Apesar de todas as declarações dos amigos, companheiros de trabalho que além de excelentes profissionais são ótimos na arte de nos emocionar, mais eu me encantava quando tocavam no assunto do relacionamento que ela teve com o seu marido, Fernando Torres, que foi ator, diretor, produtor de teatro, entre outras profissões relacionadas a arte, e que hoje já é falecido.
     Dentre todas as homenagens e demonstrações de carinho, resgataram uma gravação de um depoimento deixado por ele antes de partir. Entre cada palavra dele, havia uma magnitude, orgulho, admiração e amor que me contagiaram profundamente. Estava ali explícito para quem quisesse ver. Ele se expôs de corpo e alma. Óbvio que pela idade que tinham, não eram alvo de mídia. Nunca se comentava a respeito, não que eu me lembre pelo menos. Ouvindo-o falar, eu que nunca tive o conhecimento das suas histórias de vida, não segurei a emoção.
      Ali, nas palavras de um homem que amava à sua companheira foi onde encontrei a personificação da palavra relacionamento - dos valores que eu tenho como corretos. Tive cada vez mais certeza da grandeza de um companheirismo que não apenas sobrevive as dificuldades, mas que principalmente perdura com o passar do tempo. Se antes eu não conseguiria exemplificar um casal que me causasse admiração, hoje eu falo de boca cheia, pois ai estão - ou melhor, estavam. Pena tê-los descoberto tão tarde.
         Podem me chamar de antiquada, piegas, clichê ou dinossaura, pouco me importo quanto a isso. Escutá-lo falar das ventanias pelas quais passaram, das dificuldades que enfrentaram sem nunca abrir mão do respeito que tinham um pelo outro me fez acreditar que as coisas nais quais acredito existem de verdade. Um apoiou o outro nos seus sonhos, construíram juntos uma família, compartilharam tristezas e alegrias juntos - unidos, sempre unidos - porque quando se encontra alguém em que se ama de corpo e alma, a solidão não faz mais sentido. Enfrentaram a vida sem medo porque era na companhia de um do outro que driblavam as adversidades - que por sinal não foram poucas - nunca estavam sós.
         Na recordação deixada por um homem que pensava com o coração, as minhas lágrimas escorriam incontrolavelmente. Não adiantava eu querer disfarçar diante das pessoas que estavam na sala assistindo ao programa junto comigo, era idiotice minha fazer de conta que nada estava acontecendo. Eu estava emocionada, da mesma forma que estou agora, dias depois, só de lembrar disso. E se um dia eu pudesse ousar em viver ou querer algo parecido, queria um relacionamento que perpetuasse diante dos anos que passam desenfreadamente. Queria um amor insano, daqueles que transbordam a alma e invadem nosso corpo. Daqueles que descobrem as coisas juntos. Daqueles que além de amigos são companheiros. Daqueles amores que trazem vida mas que principalmente não morrem com o tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário