quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Insira título

          Pego as anotações que fiz semana passada no canto daquele caderno encardido que fica na cabeceira daquela escrivaninha velha, posicionada a esquerda da minha cama. Sabe de uma coisa, nunca achei essas garotas baladeiras/namoradeiras atraentes. Desculpa, talvez eu esteja sendo mesquinha ao projetar meus anseios nos outros, só não entendo essa necessidade de um relacionamento. 
       Acredito que chegará o tal dia na minha vida em que essa seja a prioridade: ter alguém, embora hoje, eu não tenha um pingo de paciência para isso. Por ora, puta merda, eu só quero viver! E é viver a moda Luciana mesmo, que é estar rodeada de livros, acumulando textos em cadernos e folhas soltas, ciente de que perderei a metade pelo caminho ou sequer encontrarei algo depois. É sério, sou insuportavelmente bagunceira, mas sou assim. Desisti de tentar ser organizada. 
       Quero marcar muitos encontros com os meus amigos, tomar xícaras e xícaras de chá ou café enquanto comemos uma porcaria nessas cafeterias de esquina. Não me julgue, tampouco me convide para sair. Uma balada a cada a 6 meses é mais do que suficiente para suprir a "minha cota de baladas". Me convide, então, para ir numa livraria, e não me chame para comprar roupas - sou uma péssima parceria para shopping. Me peça para sentar na sarjeta e falar sobre os pormenores da vida, mas por favor, não me convide para ir num desses pubs da moda. Me peça um livro emprestado, mas não o número do meu telefone. Me conte uma piada, mas não me venha com fofocas ou intrigas. Me convide para pegar o carro e dirigir sem rumo até ancorarmos sabe lá Deus onde, só não me fale em monotonias. 
         Me convide para maluquices diurnas, mas por favor, me deixe a sós a noite. Eu quero os meus livros e este meu universo particular. Eu quero buscar as respostas para minhas tantas perguntas, não é momento para compartilhar-me com outra pessoa. Quero estar a sós comigo mesma, quero meditar, escutar minhas músicas, deitar e levantar a qualquer hora. Não gosto de explicações,por isso, ando bem sozinha, afinal, há quem ainda diga que é melhor estar só do que mal acompanhada ..

Sobre uma tal de dor

          Desculpa, havia prometido não tocar mais neste assunto, tampouco que sofreria essa dor novamente. Nunca tive vergonha ou medo de falar que levei algum tempo para me recuperar desse "tombo".  Tombo .. palavra esquisita, né? Juro, achei que já estivesse curada, que ao ver uma foto atual sua, a cicatriz não se abriria nunca mais. Mas não, eu me precipitei, fui leviana e prepotente com os meus próprios sentimentos, estava redondamente enganada sobre as minhas emoções, o que obviamente demonstra que preciso aprender a me conhecer melhor.
            Senti que os pontos desse ferimento estão ainda aqui comigo. E, se fosse possível personificar uma imagem, diria que vejo gotas de sangue escorrendo, assim como aconteceu no dia em que cai em cima de um copo de vidro, no  qual despertei de um desmaio com a perna ensanguentada, com gotas cristalinas e avermelhadas saindo uma  a uma de um longo rasgo na minha perna direita. É isso que sinto, os pontos deste machucado sendo arrancados a dente - um a um, como se essas mesmas gotas cristalinas continuassem a escorrer.
            E, desculpa novamente, mas não são sentimentos bons, muito menos algo pelo qual eu me orgulhe de escrever. É uma junção de nojo, raiva, desdém e mágoa. Eu sei, não deveria ter fuçado no seu perfil numa rede social que nem o tenho mais como amigo, afinal, quem procura sempre encontra alguma coisa, não é mesmo? Pois então, eu achei. 
         Achei o resquício de um sentimento que optei por abandonar, mas que não deveria acordar ao ser cutucado. O plano inicial era abandoná-lo para me livrar mesmo de tudo e não ter que remoê-lo lá de vez em quando. Sou ciente de que coloquei minhas dores dentro de uma "caixinha" para lidar com isso mais tarde. Não vamos falar agora, muito menos tentar entender o que aconteceu. Não Luciana, não vamos atrás de nada, não vamos questionar, não vamos lidar com isso hoje, não, não e não .. Amanhã é um novo dia, apenas espere o tempo passar. 
         Há muitos meses venho esperando o tempo passar, não sabendo explicar se era o melhor a se fazer. Ainda não tenho certeza sobre nada, mas esta foi a solução que encontrei na época, apesar de saber que repetirei ato mais uma vez. Abafarei o assunto novamente, anularei o acontecido, entreterei minha mente com outros afazeres e continuarei deixando o tempo passar para que esse incômodo desapareça de dentro de mim.  Se essa ladainha um dia vai ter fim, somente os próximos textos responderão. Mas agora não é o momento certo, que tal marcarmos de tomar um café e falarmos sobre isso amanhã?

domingo, 7 de setembro de 2014

Alain de Botton ♥



             Mês passado, enquanto esperava meu vôo em Guarulhos, decidi gastar meu tempo numa das livrarias daquele aeroporto. No meio de tantos escritores conhecidos, a vendedora que estava sentada e nem fez questão de levantar para me ajudar, apenas apontou para o novo romance do Nicholas Sparks e disse: acho que você vai gostar mais desse, todo mundo está comprando.
           Quando peguei o exemplar de A Arte de Viajar, de Alain de Botton, além de adorar a capa (o que é um fator diferencial desde que comecei a estudar publicidade), também fui fisgada pela frase: as pessoas só ficam realmente interessantes quando começam a sacudir as grades de suas gaiolas. Achei que o impacto tivesse acontecido por causa do período em que me encontro atualmente, mas não, o choque vem aumentando a cada nova página lida ou trechos que venho procurando na internet das suas outras obras. 
            Escrevi tudo isso para apresentar (a quem não conhece), esse estupendo filósofo contemporâneo muito consagrado na Suécia - seu país de origem - mas pouco falado aqui no Brasil, por ser ofuscado, na grande maioria das vezes, pelos clichês autores americanos. Sei lá, vai que alguém esteja afim de iniciar uma leitura e esteja a procura de uma recomendação?