terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Alegrando o Natal de uma família

       
     Quando morávamos em Taquara, sempre ajudávamos a família de uma mulher que os meus pais conhecem há anos. Eles são em 4 pessoas, morando numa minúscula casa. Os parentes moram todos próximos, em casas uma do lado da outra, todas praticamente grudadas ou separadas por um corredor. É tudo amontoado mesmo, sem muito espaço nem para passar. Assim que nos mudamos para Parobé pedimos para eles nos visitarem frequentemente para que pudéssemos continuar ajudando, acontece que ninguém nunca mais apareceu. Por isso, todo Natal nós os visitamos, levamos não somente comida, mas também tiramos roupas e sapatos que estão em desuso para doar a quem mais precisa que nós.
      Neste ano, assim como no ano passado, minha tia quis ir ajudar também, levando biscoitos feitos por ela, materiais escolares, calçados e mais roupas. Os anos podem continuar passando e eu sempre ficarei realizada ao ver a alegria em seus rostos quando encostamos o carro com todos eles nos reconhecendo.
 - Eu sabia que viriam, vocês sempre aparecem, são como anjos, disse a anfitriã daquele lar, a conhecida dos meus pais em profunda alegria.
    Um ano já havia passado desde a última visita, sendo que todos estavam cheio de novidades para nos contar. A cada passo que eu dava, me afastando do carro e indo em direção da casa, aquele aperto no peito começava a me esmagar. Eu escutava as conversas das pessoas que estavam ao meu redor, aí decidi não prestar muita atenção nisso. Queria analisar em volta, as casas que ali estavam uma colada na outra, com muito mais gente do que a capacidade. Uma mistura de gato, cachorro, galo, galinha e papagaio que já estava difícil desviar para passar ou imaginar como sobreviviam naquele apertamento.
    Quando ajudei a carregar as sacolas para dentro, só conseguia me concentrar naquele calorão, no tal calor infernal que fazia em qualquer lugar que estivéssemos, não sabendo como conseguiam sobreviver. Logo que a minha prima pediu um copo de água, nos direcionamos para a cozinha que tinha sido reformada. Era com muita alegria que nos convidaram para mostrar o novo ambiente. Sem dúvida era um pouco maior do que a antiga, mas continuava não cabendo todos ali. Uns permaneceram na rua, outros na nova cozinha enquanto conversávamos.
    Aquela casa de forro baixo, papelão nas paredes e uns toco de madeira encostados uns nos outros é que davam sustento aquele lar. Segundo o que a minha mãe me disse, as coisas estavam melhorando aos poucos, mas ainda era triste demais aquelas condições, tudo continuava tão crítico. Será que tinha como piorar? 
       Quando a Maiara de 13 anos, que é neta daquela tal conhecida dos meus pais disparou que desde que havíamos estado lá ela havia se casado com um menino de 16 anos, esteve grávida porém acabou perdendo o filho com dois meses de gestação sem nem saber o real motivo do acontecido eu só pensava: Meu Deus, meu Deus, me Deus. Eu sinceramente não sabia o que dizer. Eu não sabia se parabenizava, se aconselhava para ela começar a se cuidar agora para não engravidar tão jovem novamente ou se dizia que deveria estudar para prosperar um futuro melhor. Fiquei pasma, quieta na minha, perdida nos meus pensamentos.  Era muito para processar, muita informação para digerir. Esbocei um sorrisinho mas não me atrevi a dizer nada, definitivamente não era hora nem lugar para expressar minha opinião.
         Ficamos pouco tempo lá, mais ou menos meia hora, até que uma vizinha nos gritou para mostrar sua filha de dezoito anos juntamente com seu netinho de 4 anos. Aquelas conversas sem perspectiva de um futuro melhor me deixaram triste, aliás, me deixam triste até hoje. Desconhecia-se outra vida, era apenas aquilo lá. Não tinha mais o que esperar. O negócio era arrumar um marido, ter um(ns) filho(s) e sofrer. Sofrer muito. A vida para eles era realmente difícil, sofrida, injusta. O negócio era lutar até que tivessem forças. Ninguém apresentava uma segunda possibilidade, uma luz no fim do túnel que fosse. Eu gostaria de ajudar mais, com muito mais. Queria poder dar para aquelas pessoas um futuro ou a esperança de dias melhor, mas eu não posso, não tenho como. Se eu tivesse condições dava para aquela família uma casa com muitos tijolos, janelas de verdade, piso, lâmpadas, tudo de verdade. Eles mereciam algo melhor, mais digno. 
     O tempo que fiquei lá foi suficiente para voltar pra casa triste, agoniada, totalmente sem palavras. Acabei sendo a primeira a entrar no carro, talvez tentando fugir dos meus pensamentos que me atordoavam tanto. Neste momento acabei percebendo quando a minha mãe entregou dinheiro para comprarem um botijão de gás para caso não pudessem fazer a ceia de natal, então ousei fazer uma pergunta pra lá de inconveniente:
- Com quantos reais vocês passam o mês? disparei sem pensar muito a respeito.
- Olha minha filha, nós ganhamos aquela bolsa família de R$ 100,00 reais e o meu irmão junto com os meninos catam papelão para dar uns troquinhos a mais no final do mês. A nossa sorte são as pessoas que ajudam como vocês. Um dá um fogão velho, outro dá uma panela, alguns dão comida, ajudam com um pouco de dinheiro, só que eu queria mesmo era voltar a trabalhar, não tô conseguindo serviço como faxineira em lugar nenhum.
- Se Deus quiser esse ano que vem será mais abençoado. Espero que consiga um serviço e as coisas melhorem, se Deus quiser. Vão nos visitar, peguem um ônibus que a gente ajuda vocês como pudermos, mas é para irem mesmo, não ficar só prometendo, eu respondi.
   Um dos filhos da Rosa, aquela mulher que comentei até agora, é um menino de 8 anos que ficou tão encantado com os materiais escolares que ganhou que era um das poucas coisas que me alegraram. Os cadernos recheados de adesivos lhe fizeram tão bem que não encontro uma palavra para descrever aqui a faceirice que ele expressava. Ouvi a minha tia falar bem baixinho no seu ouvido: 
- Estuda bastante, estuda muito para você conseguir um bom emprego ou ser alguém famoso para ganhar bastante dinheiro. Mas é para estudar muito, viu?
   Assim que todos entraram no carro, o meu coração aquietou-se um pouquinho por causa da boa ação que fizemos. Como é bom ver alguém sorrir sabendo que tiramos um pouco o peso daqueles ombros calejados. Eles terão comida para uns quantos dias, pelo menos fome não passarão tão rapidamente, era só nisso que eu pensava. Voltei divagando enquanto todos conversavam. Aquele era um momento meu, uma hora de reflexão. Segui dirigindo até encontrar a estrada que me trazia de volta para casa sem escutar absolutamente nada do que continuavam a falar. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

É hora de retrospectiva, rebobina comigo?

       
            Só me dei por conta de que o ano estava realmente terminando quando fui ao supermercado. Vendo aqueles incontáveis panetones empilhados um sobre o outro pra tudo quanto é lado, desde chocotone, milhões de derivações, modificações, zilhões de novos produtos até o tal panetone. Foi ali que a ficha caiu, aquele estalo na mente apareceu de que está acabando, mais um ano vai se encaminhando ao fim.
        Já dá pra entrar em contagem regressiva, planejar férias, livrar-se das amarras da faculdade, prosperar coisas novas, brindar com entusiasmo, principalmente conseguir desopilar a mente dessas pendências. De fato, dá pra fazer isso mesmo. Só que ao invés de visar o futuro, agora vou dar uma olhadinha para trás, quero enxergar pelo retrovisor desses 350 e poucos dias que já vivi neste ano porque eles representaram muito, foram bons e ruins momentos de  muito aprendizado que valem a pena serem analisados, relembrados e comemorados.
   Enquanto a maioria pediu dinheiro, muito dinheiro, precisando desesperadamente dele, eu lembro de ter pedido que as coisas se ajeitassem na minha vida, que tudo se encaminhasse. Muitas coisas estavam desconexas para falar a verdade, me sentia incalculavelmente perdida. Ansiava pela minha paz de espírito, precisava encontrar respostas para as perguntas que tinha, coisa que dinheiro algum consegue fazer por ninguém. Admito que nem todas foram respondidas, mas uma luz no fim do túnel foi vista de lá para cá. 
       É estar em paz que preciso, eu sei disso. É saber que estou no caminho certo, que a minha vida tem sentido, que eu sou um ser útil. Não gosto de desperdiçar tempo, de perder vida. Eu quero mais, sempre mais. Meus amigos seguidamente reinam comigo, entre um grito e outro disparam: Te aquieta guria, sossega um pouco. Descansa a cabeça, relaxa essa mente maluca, você está sempre a mil. Eu só tenho a agradecer todo o carinho preocupação. Acontece é que agora não é hora de parar. Tenho muito tempo de correria, estresse e ventania até realmente querer me aquietar - me conheço muito bem quanto a isso, eu ultrapasso os meus limites sem dó nem piedade, se é certo fazer isso também não sei responder.
         Gosto mesmo é de estar ligada no 220w, fazendo diferentes coisas ao mesmo tempo, trabalhando com pessoas interessantes para aprender cada vez mais e mais. Além disso, não gosto de nada que seja meia fase - meio termo me irrita profundamente. Ou faz bem feito ou não faz. Ou te atira de cabeça ou não se envolve então. Assume o compromisso e te dedica ao máximo ou larga fora. Claro que para isso precisei e ainda preciso abrir mão de algumas coisas, deixando uma porção de outros projetos para trás. Não tem erro, opta-se por algo, abandona-se outro e assim sucessivamente até o resto da nossa vida, não é mesmo?
       Enquanto planejo, às vezes esqueço que não tenho o controle de tudo. Entre a linha que traço na mente, há infindáveis curvas que precisam ser feitas, muitas pedras devem ser chutadas ou contornadas, bagagens precisam ser eliminadas para que as novidades posam surgir. É uma batalha diária de longos e intermináveis dias. Se me perguntassem agora sobre o que eu gostaria de aprender, responderia sem pestanejar que queria aprender a estar preparada para a vida, mas acho que isso é impossível. Nunca sabe-se o que vai vir, o que vai ser perdido num piscar de olhos, o que realmente esperar dela. Nem sempre estamos preparados - eu pelo menos nunca estou. Lidar com a perdas é muito difícil, e 2013 foi um ano de grandes perdas, principalmente de pessoas especiais. Umas partiram para um lugar melhor, deixando definitivamente essa vida. No entanto, outras me abandonaram, abriram mão mesmo de mim - o que ainda dói bastante.
     Quando 2013 iniciou, jamais poderia imaginar que largos passos seriam dados, que eu conheceria tanta gente nova e bacana de verdade, me estressaria ou chegaria ao ponto que cheguei. Nem ousaria pensar estar trabalhando com iniciação científica muito menos que eu adoraria dessa forma. Escrever artigos era algo que definitivamente não me passava pela cabeça e tampouco que eu estaria disponibilizando tanto tempo para isso agora. Já havia decido trabalhar fora, entrar de uma vez no mercado de trabalho, sair um pouco das asas dos meus pais, ter as minhas responsabilidades, incontáveis obrigações para cumprir. Aprender a responder por mim mesma foi um dos passos mais importante que dei, não imaginando que seria tão válido como está sendo. Também eliminei várias cadeiras da faculdade, perdi uma quantia considerável de quilos, aprendi a falar o que me incomodava, fiz pequenas loucuras que me fizeram rir demais. 
     E não dá pra esquecer de quem está junto conosco, né? Que graça teria viver sozinha? Eu com certeza não conseguiria. Minha nossa, como é bom encontrar seres humanos incríveis, eu só tenho a agradecer a todos. Não acho justo listar nomes porque quem esteve comigo sabe da sua importância. Cada um ajudou do seu jeitinho, seja com palavras de conforto, me empurrando em projetos pessoais, escutando as minhas lamúrias, as minhas paranoias sem fim, fazendo muita festa comigo, dando choques de realidade quando eu estava precisando, me fazendo ir adiante sem abrir mão de nada, quando nem eu mesma mais acreditava em mim. Sabe como é legal ter alguém que acredita em ti, que te apoia, te guia e te faz encontrar significados para tua vida? Ou várias delas neste caso? Sinceramente não sei como agradecer, nem por onde começar tamanha(s) parceria(s). Todos sabem que sou tão neurótica, paranoica, busco incansavelmente  a maldita perfeição (perfeição no sentido de dar o meu suor, dormir poucas horas, virar noites, teimar desesperadamente para chegar ao melhor de mim mesma), eu sei disso. Sei que nunca irei encontrá-la, mas vou continuar procurando incansavelmente
    Sumo por uns tempos e depois volto, eu sempre volto. Sei que abraçar o mundo é impossível, só que me esqueço disso grande parte dos dias quando me envolver com projetos duradouros. Gostaria de ter todo mundo mais por perto de mim. De colocá-los numa redoma de vidro perpetuamente para não acontecer esses desaparecimentos, os tais sumiços inevitáveis. Prometam não desistir de mim, combinado? Não me abandonem, é só isso que tenho para dizer. Vamos aprender juntos, errar em parceira, viver a vida realizando muitos dos nossos sonhos. Quero que 2014 seja tão bom quanto foi 2013. No final ninguém sabe como vai ser, por isso espero chegar neste mesmo período do ano que vem com muitas coisas interessantes para escrever e compartilhar. 
    Que assim seja.
    Se Deus quiser
    E permitir.
    Amém!

           

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Prolixidade anormal para falar de Otários!


       Tenho escutado com muita frequência pessoas falando sobre decepções amorosas, problemas em relacionamentos e desilusões, principalmente as minhas amigas ou conhecidas que colecionam histórias de fracasso - inclusive eu - não se engane quanto a isso, também não tenho muita sorte nesse assunto. Tudo se torna tão contraditório quando paro para escutar o que me contam. Todas querem um cara atencioso, gentil, cavalheiro, companheiro, que as valorize e principalmente as respeite. Aí optam por procurar quando saem para uma festa, se sentam na mesa de um bar e fitam o cara mais gato, o mais desejado, que por sinal também está sendo cobiçado pelas outras mulheres que estão no mesmo ambiente - caçando com muito entusiasmo diga-se de passagem.
       Geralmente o cara descolado, mais bem vestido, que também sai para azarar e está caçando que nem um adoidado é o que mais faz sucesso, atraindo indubitavelmente muita atenção. Ele tem um leque de opções tanto pelo celular no qual passa grande parte da noite pendurado quanto nas mulheres que ali estão o rodeando. Claro, vocês podem sim entrar num relacionamento sério tempos depois, ele pode te respeitar e tudo mais, mas a probabilidade é tão pequena. Meu Deus do céu, vira e mexe a história começa ou termina do mesmo jeito. Ou estão(mos) procurando nos lugares errados ou as pessoas que estão cada vez piores. Há algum lugar específico para encontrar gente decente? Eis a questão que intriga e não quer calar nunca porque até hoje não encontrei (falando no singular/pensando no plural).
       Agora virão aqueles que irão me atirar pedra dizendo: Luciana, eu sou bonito e não sou um cara qualquer, eu respeito. Outros falarão: isso é pré-conceito, é julgamento errado. Você está estereotipando, é recalque puro, isso é não sei o que e mais um monte de blá blá blá.
     A questão aqui não é a pré definição ou caracterização que se faz. A pessoa pode ser bonito(a), gordo(a), magro(a), alto(a), preto(a), branco(a), amarelo, indío(a), cigano(a) ou japonês, mas quando tira pra ser caco, ela é caco e ponto final, independentemente de cor, raça ou perfil físico. Eu estou exemplificando aqui o que acontece no círculo social em que eu vivo, com as pessoas que convivo e o que tenho escutado dia após dia REPETIDAMENTE.
       Eu por exemplo, esses tempos tive o DESPRAZER de receber um buquê de rosas vermelhas de um cara que se achava um cavalheiro master. Sim, é isso mesmo. As flores que por sinal eram lindas e cheirosas me foram entregues somente como um ato de cavalheirismo, assim como também tive o desprazer de escutar da própria pessoa. Elas não representavam nada, absolutamente nada, apenas foram usadas para passar uma boa impressão. O que certamente deu muito errado quando a pessoa de cavalheiro não tem nada e acha que vai impressionar com presentes. Será que alguém indica esse tipo de coisa? Não sei, só que pensando bem, acho que nenhuma pessoa seria estúpida a ponto de recomendar uma atrocidade dessas. Abrir a porta de um carro, ser gentil, educado e principalmente honesto se desconhece. É meu amigo, é difícil ser um cavalheiro de verdade. Só lamento em te informar que essas coisas não se tem onde comprar não, desculpa ai.
        A gente sabe que desde que o mundo é mundo comportamentos assim são executados, mas sempre se acredita que as coisas irão mudar, que as novas pessoas conhecidas irão agir diferente, serão sinceras, são seres humanos que valem a pena e não farão esse tipo de coisa. Não terão esses comportamos ridículos - vulgo nojentos -, não conosco ou com as pessoas que gostamos tanto. Uma coisa é tu ficar sem se apegar, não querer compromisso e AMBOS estarem de acordo quanto a isso. Outra coisa é relacionar-se por interesse, mentir para levar alguém pra cama, iludir descaradamente. Pisar e sapatear num outro ser que acredita estar conhecendo uma pessoa legal. Qualquer pessoa aqui pode fazer um outro alguém chorar, sabe iludir, pode enganar e consegue destruir um coração, só que não vale a pena. Nós sabemos que não vale a pena. Ou, nós que temos um coração, valorizamos os sentimentos e respeitamos com quem nos relacionamos sabemos que isso não vale a pena.
       Escrevendo assim até parece o desabafo de alguém que acabou levando uma rasteira recentemente, só que não é. Assim foi a forma que encontrei de colocar pra fora um pouco das lágrimas que venho secando ultimamente, dos intermináveis ombros que tenho oferecido quando batem na minha porta para chorar e dos cacos que tenho juntado, tentando de alguma forma arrumar um pouco o estrago que andaram fazendo. Vontade eu teria mesmo era de dar um soco na cara e falar pra pessoa deixar de ser idiota, mesquinha, hedonista e pedir para nunca mais fazer isso com ninguém, nunca mais, mas não dá. O jeito é continuar ajudando da forma que posso, organizando um pouco do que foi espatifado sem dó nem piedade, torcendo para que no meio de tanto babaca sem escrúpulo algum se encontre alguém que costuma agir diferente, pretenda fazer outra pessoa feliz e principalmente tenha um bom coração.

Quem nunca?

        
        A música é melancólica. O momento é inspirador. Estes dedos que aqui estão digitando rapidamente para conseguir acompanhar a minha linha de raciocínio tão difusa encontram-se embaralhados. É uma vontade louca de ter muito o que falar sem saber por onde começar. Sabe aquele dia complicado que por sinal passou voando e tudo pareceu propositalmente ter dado errado desde a hora que tirei o pé da cama? Dá uma vontade de colocar a mochila nas gostas, pegar a BR e sair sem rumo, ir caminhando à deriva. É só mais uma andarilha louca alguém poderia dizer se me visse zumbizando por ai. 
         Porcaria de correria insana que dependendo do dia suga até a minha alma. Como pode isso, será que é só comigo? Não, não deve ser. Eu escuto tanta gente falando coisas parecidas com as minhas. Sinceramente não sei se tenho vontade de chorar ou de sorrir. Se estou com fome ou sede. Se quero dormir ou sair.  Se estou afim de conversar ou se prefiro ficar sozinha - porque eu simplesmente não sei, não sei de nada, não consigo responder a uma pergunta sequer.   
        Inquieta, levanto e me sento trocentas vezes na porcaria do sofá que hoje está especialmente desconfortável. Mudo de canal mas nada que tem na na televisão está agradando. As redes sociais mais me frustam do que entretem. E para piorar, depois de caminhar pra lá e pra cá compulsivamente pela sala, recordo que tem uma barra de chocolate branco na geladeira, linda e deliciosa que está sorrindo largamente para mim, mesmo em pensamento.
         É, acho que sei muito bem o rumo que tomarei agora para encontrar um pouco de sossego, reconhecendo o final desta história.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fala muito, fala TUDO!


         Conheço quem enterra coisas com absoluta facilidade. Tapam assuntos, cremam problemas, viram páginas e esquecem pessoas como se elas nunca tivessem existido. Admito que tenho imensa admiração por elas porque bem que eu gostaria de conseguir fazer isso com mais naturalidade. Mas, também conheço gente que perde tanto tempo remoendo, mentalizando e matutando tudo o que poderia ter feito diferente, pensando nas ações que deveriam ter sido executadas, naquelas inúmeras verdades que poderiam ter sido atiradas na cara, como se isso de alguma forma pudesse voltar um pouco para quem feriu com tanta agressividade - como um bumerangue que vai e sempre volta. Só que algo que não foi atirado não tem como voltar, não é mesmo? O tempo passa, nada foi devolvido e tudo continua a machucar, incomodar e inquietar.
     Eu realmente detesto quem ofende, humilha, maltrata com ações e palavras, é prepotente e tem aquela superioridade grotesca. Repudio quem aponta o dedo na cara demonstrando não se importar com nada do que é feito. E que pior ainda, de quem gosta de sapatear nos outros já que precisam massagear seus egos enormes, sedentos. Não admito que quem faça isso não tenha um retorno, isso definitivamente é inaceitável pra mim. Poxa, chega uma hora em que as coisas explodem, que tu simplesmente não aguenta mais, que é preciso devolver. Bom se tudo pudesse ser devolvido numa caixa, certamente muitas bombas seriam enviadas uma depois da outra, e tudo com juros, acréscimos e correções monetária, só que não dá!
      Existe aquela parede imensa que trava, um bloqueio inútil, um mal muitas vezes necessário. Sempre há um abismo entre a pessoa que se quer ser e a pessoa que se é. Só que pensando bem, não adianta nada chegar ao extremo e explodir com as pessoas erradas. Talvez esteja na hora de trabalhar melhor isso para conseguir devolver aos poucos aquilo que consequentemente acaba te corroendo como soda, e principalmente com as pessoas certas. O excesso de sapos que se engole faz do estômago de qualquer pessoa um brejo escuro, nojento e que aos poucos precisa ser esvaziado pra não entupir. E isso não é só comigo ou contigo, é com todo mundo! 
       A única válvula de escape é conseguir ir eliminando, vendo em pequenas ações um resultado pensado a longo prazo. As pessoas nas quais convivemos precisam aprender a ter limites, elas não podem simplesmente falar e fazer o que bem entenderem. As coisas não são bem assim, ou não deveriam ser pelo menos. Entre cada pisada há um ser humano, entre cada desaforo há uma pessoa com uma história que nem sempre conhecemos totalmente e tampouco entendemos suas lutas diárias. Por isso, se tu não consegue falar na cara, que escreva uma carta, que mande uma mensagem, que peça para alguém falar por você enquanto ainda falta-te coragem, só não guarda tudo isso! 
     Guardar desaforos nem sempre é sinônimo de força, como falar o que incomoda também não significa fraqueza! Sou extremamente contra a receber pancada sempre e se acovardar. Enquanto puderem te sapatear, certamente o farão, pode apostar! Então pega e fala, mas fala mesmo, fala muito, fala TUDO, FALA DE TUDO!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Reflexão de uma obra literária




      No momento estou lendo a A riqueza do mundo - Lya Luft, onde encontrei uma parte interessantíssima e por isso estou compartilhando juntamente com a minha reflexão a respeito. Enxuguei seu pensamento porque a Lya é uma escritora extremamente filosófica dona de uma prolixidade ímpar para acumular páginas e mais páginas até concluir seu pensamento.

     "Num congresso de escritores no exterior, com uma organização impecável, com grandes figuras presentes, muito se aprendia em discussões e trocas de ideias. Cada convidado lia um trecho de uma obra sua - naturalmente em inglês- que é a língua de todos. Quando terminei minha parte, aproximou-se de mim um senhor de cabelos brancos, dono de um belo antiquário em Amsterdã, Holanda - casado com famosa romancista holandesa, pegou minhas duas mãos e disse emocionado num perfeito inglês: - Jamais pensei que no Brasil houvesse pessoas cultas."

     Claro, que esse pensamento extraído de um livro sirva-nos como um tapa na cara. Um intercambista mexicano, semestre passado, me respondeu o seguinte quando o questionei sobre a imagem que tinha do Brasil antes de sua vinda: O que ainda estranho todos os dias é que pensei que as pessoas daqui sambassem nas ruas - todas elas. 
    Isso é tão óbvio, num pais onde produz-se apenas futebol, carnaval, favela, drogados, ladrões, mulheres bonitas e vulgares, seria pedir demais que se "produzisse" pessoas cultas, não é mesmo? Só que caro amigo Holandês, aqui nós temos Universidades, editoras, indústrias e nosso país é riquíssimo em termos de produção e exportação. Investe-se em tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e forma-se pensadores, professores, artistas e profissionais altamente capacitados - muitos deles. Mas, sabe-se também, que a culpa não é sua e de nenhum outro estrangeiro que nos enxerga desta forma. Nós é que exportamos essa mídia apelativa. Não somos conhecidos devidamente por tudo que temos de bom e aproveitável. Apesar de toda roubalheira, negligência e confusões, o Brasil sempre foi um país que formou e forma (insira adjetivo que preferir) cidadãos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Antes tarde do que mais tarde!

            Meu Deus! Há tanto tempo que não posto mais nada nesse meu blog. Estive envolvida em outros projetos e esqueci de compartilhar o que tenho escrito ultimamente. Decidi passear pelos meus textos para ver um pouco mais do que produzi nesses últimos meses. Admito que fiquei assustada comigo mesma e de como eu sinceramente mudei de lá pra cá. Mudei a forma de escrever, a forma de pensar e principalmente a maneira de expor as minhas ideias. Exclui alguns textos por achar que não condiziam mais com a minha personalidade, e no entanto, outros mantive intactos, para analisar futuramente alguma evolução ou não.
            Só que intensificando a faculdade, estou aprendendo a como expor e trabalhar com isso tudo, modelando meu comportamento e minhas atitudes principalmente nas redes sociais. Entra-se na academia de uma maneira e sai-se totalmente diferente. Isso é inevitável e não acontece só comigo. Olho a minha volta e percebo que os meus amigos e conhecidos também estão pensando como eu. Não perde-se a essência da juventude nem nada do gênero, mas perde-se o pensamento de que tudo é brincadeira e que as consequências não existem. Vejo isso como um crescimento, um aprendizado constante que reflete numa busca primordial de conhecimento. Quero olhar pra trás e saber que busquei pelas minhas respostas e que obtive algum retorno. E se antes eu tinha vergonha de mim, hoje eu tenho cada vez mais orgulho por ser um ser humano que não fica estagnado vendo a vida passar diante dos olhos.
          Parece que foi ontem que escrevi o último texto, só que cinco meses já voaram até eu me dar por conta que costumo fazer milhões de coisas ao mesmo tempo e que uma eu acabo deixando perdida pelo caminho. Desta vez estou me reconectando, buscando por dar vida novamente a algo que me faz muito feliz. Me policiarei a escrever com mais frequência porque fico encantada quando escuto: - Ei Luciana, não está escrevendo mais por quê? E como responder que eu continuo escrevendo cada vez mais só que não ando postando? Por isso vou adorar ter um retorno como aconteceu das outras vezes também. Um retorno que me motivará demais. Um toma lá da contínuo e inesgotável. Assim como o próprio nome do blog já diz: é interminável. Vou ir e vir sempre, até finalmente perceber que apesar de todo o trabalho que tenho, isso aqui me faz um bem danado.
Mil Beijocas!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Valores Invertidos



As coisas estão tão atravessadas que os valores já estão trocados há muito tempo.  O que mais me irrita nisso tudo, é o gostar está relacionando a valor - verba. Quanto maior for o presente, maior é o sentimento - desde quando, HEIN? Gostar é gostar. Gostar é puro, é nobre e jamais pode estar relacionado a dinheiro. Espanta-me ver que as pessoas ostentam, vangloriam-se com coisas assim, onde principalmente ações pequenas perdem o VALOR. Se o “sentimento” não puder ser exibido, exposto e se não for esfregado na cara dos outros, nada mais tem importância. A sociedade e as pessoas chegaram a tal ponto que tudo se inverteu, está tudo misturado. Já não sei mais se é o dinheiro que subiu para a cabeça ou se é a própria ignorância que desceu para o bolso. Num mundo em que o dinheiro grita mais alto sempre, não há muito o que se esperar dos outros - sinceramente.



Agora é a hora





                 A mudança demora mesmo pra acontecer, e esses últimos 10 anos serviram como pólvora. Me orgulho destes que estão protestando, que saíram do sofá, das redes sociais, que deram a cara a tapa mesmo. 
            Espero que estes manifestos sejam apenas o começo – o início de um povo que chegou ao seu limite e que está cansado de tamanho descaso e roubalheira. Não preciso ressaltar agora tudo o que está de ponta cabeça nesse País, mas espero que isso não seja um fogo de palha, uma brasa que esteja prestes a apagar. Que o barulho de hoje não seja esquecido e calado amanhã. Se temos voz para gritar, precisamos ter ainda mais na hora de votar. Não restam mais dúvidas de que um povo sem virtudes acaba mesmo por ser ESCRAVO.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O que realmente importa

             A beleza do lindo rosto ou do belo corpo não convence, ela só atrai nos primeiros minutos. É fundamental ter uma base sólida para construir uma relação. São as conversas, opiniões compartilhadas, educação apresentada, honestidade presente em cada ser humano, a humildade e principalmente o caráter que vão definir se vale a pena ou não investir tempo e energia em alguém. São as experiências trocadas ou a tranquilidade de ter pouco o que ensinar mas muito o que aprender. Foi-se o tempo em que as pessoas precisavam de um conjunto bonito para fazer volume do lado, eis que precisamos de algo a mais, algo que a beleza por si só não sustenta. E olha que não é falar nada em exagero ou exigir muito de alguém, é apenas enxergar por um ângulo real - mais humano -, onde a inteligência e o caráter formam uma dupla muito mais bonita do que um rostinho encantador e um corpo atraente, que se tiverem só isso para oferecer, são estupidamente vazios, desinteressantes e desnecessários.

domingo, 3 de março de 2013

Sair do lugar


               Há muito tempo venho procurando ser feliz deixando de esperar as coisas caírem do céu. É óbvio que estou apenas no começo da caminhada, sabendo lucidamente que eu ainda tenho muito chão pela frente, muita poeira para "comer" para quem sabe um dia "chegar lá". Afinal, chegar aonde? Será que realmente existe um destino final? Hoje, eu já não saberia responder porque estou vivendo um dia de cada vez, abraçando as oportunidades que surgem, adorando me envolver em projetos que estavam tão distantes e eram tão desconhecidos por mim. Se um dia eu realmente "chegarei lá" eu ainda não consigo responder, a única coisa que eu tenho certeza é que parei de reclamar esperando o que não vem. 
         Eu levantei do sofá, desliguei a televisão, desconectei a internet e foquei em coisas melhores - coisas que me motivam a seguir em frente. O que eu quero agora é ter sempre novas histórias pra contar. Não só as histórias dos outros, mas as minhas também, para ter a certeza de que tudo realmente valeu a pena nessa vida.