terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Boa Observadora


      Hoje pela manhã, assim como de costume, levantei cedo para ir trabalhar. Antes das sete já estava na rodoviária esperando meu ônibus chegar. Comprei a passagem e sentei para terminar meu livro. Estava lendo Morte e vida de Charlie, extremamente concentrada porque estava indo para o último capítulo. Como qualquer outro bom leitor, viajei na história, não percebendo que havia pessoas ao meu redor me observando, até que escutei uma menina de mais ou menos dez anos me perguntar:
- O que você está lendo?
- Estou lendo Morte e vida de Charlie.
- Hmm, é o que?
- Uma ficção, é um romance. Você gosta de ler? perguntei.
- Olha, não sei, só leio os livros do colégio.
- Nunca mesmo? Mas você tem interesse em histórias?
- Olha, se fosse pra fazer essa "cara" engraçada e mexer as sobrancelhas desta forma como se tivesse pensando em algo sério que nem as suas, eu queria sim.
        Eu ri com o comentário dela porque meu comportamento foi involuntário, já que minhas expressões faciais estavam mudando conforme as falas e ações dos personagens sem que eu percebesse. Foi, então, que respondi, olhando para ela e fechando o livro:
- Sabe, quando a gente lê, nossa mente se transporta para outro lugar. Eu não estava aqui agora porque estava viajando em uma boa história, por isso nem reparei que você estava me olhando. 
- É? E eu estou te cuidando tem mó tempão.
- Amanhã você estará aqui novamente?
- Não. Estou de férias, estou passeando. Vou ir na casa da minha prima, disse ela.
- Que pena. Se estivesse aqui amanhã, te traria de presente um livro para à sua idade, já que este aqui não é.
- Sério? De verdade? Eu estava mesmo pensando em pedir um livro de presente para minha mãe.
- Isso, peça! Peça um livro de presente. Espero que você ganhe um tão bom, mas tão bom que nunca mais queira parar de ler.
          Antes de ir, ela disse:
- Eu sou a Larissa.
- Prazer, eu sou a Luciana.
      E, então, ela se foi, dando tchau e abanando rapidamente com a mãozinha enquanto sorria para mim. Sem sombra de dúvidas esta manhã não foi normal, não é todo dia que aparece uma criança curiosa para nos alegrar enquanto dispara uma metralhadora de perguntas ao nos observar tão discreta e ao mesmo tempo minuciosamente.

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