sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Uma delas.



        Entre as neuroses ou paranoias que tenho, o problema com o peso é algo evidente. Assim como eu, muitas pessoas lutam para encontrar um ponto de equilíbrio entre o corpo e a mente. Sei que nos bombardeiam afirmando que precisamos nos amar da forma como somos, que é preciso ter autoestima acima de tudo. Mas no meu caso, a forma como eu sou se direciona sempre para arredondada, formato circular, ser gordinha mesmo. Tenho uma tendência ABSURDA para engordar, é impressionante. Li em algum lugar uma vez que, se a criança é muito gordinha na infância, ela formará mais células de gordura, o que dificultará o processo de emagrecimento na fase adulta, juntamente com um artigo ressaltando sobre porcentagem de armazenamento de informação celular. Não entendo absolutamente nada sobre o assunto, apesar de vivenciar exatamente o que está escrito, compreendo que a informação é verdadeira.
       Se eu for me aceitar do jeito que sou, teria que me aceitar para ser cheinha. o problema é que eu só me sinto bem quando estou mais magra. Não tenho um pingo de vontade de me socializar quando estou acima do peso, fazer o quê. Minha mente me metralha muito mais que qualquer opinião alheia. É a típica história de alguém sempre foi gordinha, que escutou muitos comentários do tipo: para de comer, fecha essa boca, você vai ficar ainda maior, se controla que isso é gula, ou pra piorar, você vai repetir de novo? Não adianta, talvez seja reflexo de muitos dias que eu usava uma roupinha mais colada, sendo apontada diretamente para o pneu da barriga ou escutando comentários do meu rosto que sempre teve formato arredondado, principalmente quando eu engordo que ele vira um outdoor. O maldito efeito sanfona é outra coisa que conheço bem, muitíssimo bem, diga-se de passagem. Diminui um número do manequim, aumenta dois. Emagrece 3, engorda 5. Perde 4, encontra 6. E assim por diante.
         Somente de um ano para cá que fui ter consciência da tal reeducação alimentar. Já tinha escutado falar várias vezes, mas nunca havia dado real importância. Frequento academia desde os treze anos, não sou sedentária, pratico caminhadas ao ar livre e quando ia me pesar o ponteiro só subia, por quê? Porque eu descontava todas as minhas raivas, estresses, problemas e principalmente minhas ansiedades na comida. Comprava muita barra de chocolate, pacotes de salgadinho e bolacha recheada para comer escondida. Como se fosse fazer diferença comer escondida ou não, já que a única prejudicada era eu. Admito que levou um tempo para eu ter consciência disso, que não adiantava eu me esgoelar na academia ou sair caminhando por quase 3h como uma desvairada se eu chegava em casa e comia um "boi pela perna". Enquanto eu não ficava estufada a ponto de passar mal eu não sossegava.
          Assim que procurei ajuda profissional para controlar minha ansiedade , aprendi a canalizar meus problemas para não direcioná-lo a comida sempre. Ao invés de comer em excesso, optei por uma alimentação mais saudável, muito menos gordurosa, escolhendo um dia para comer as porcarias que tenho vontade. Não fiz mais aquelas loucuras de cortar tudo de uma hora pra outra e depois voltar compulsivamente.
        Um ano pensando diferente e lá se foram quase 12 kilos. O objetivo ainda não foi atingido, mas falta só 4. No ritmo que estou, talvez leve mais uns 3, 4 meses para atingi-lo, mas eu não estou com pressa agora. Estou confortável assim, sinceramente. Sempre encontraremos alguma coisa para implicar, não é mesmo? Depois que perder esses 4 kilos eu certamente encontrarei outra coisa para encafifar, isso é inevitável.
          O bom do blog é poder compartilhar as coisas que nos acontecem. Não adianta ficar só reclamando sem encontrar uma maneira de resolver nossas pendências. Se nos final das coisas eu conseguir motivar ao menos uma pessoa, eu já ficaria muito feliz. Nada compra estarmos bem, sentir-se resolvida e não ter problema com a imagem. Quer colocar um biquíni pra ir para praia, tomar banho de piscina com os amigos ou usar uma roupa colada para badalar? Okay, vamos lá! Chega de se esconder atrás de lindas cangas ou camisetões. 
          Never more.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Big Bods Brasil


         Esse pessoal que estressa em rede social por causa de reality show deveria seriamente ir pra estudo, sinceramente. Tudo na mídia passa tão rápido que não compensa ficar irritando os outros por isso. 
        Sabe, não é por acaso que mesmo estando na décima quarta edição ainda bate recorde de patrocínio. É porque tem muita gente que assiste mesmo. Ainda tem mais gente comentando e espiculando pra tudo quanto é lado. É cultural do nosso país, paciência. Ficam se parando de pseudo-intelectuais, como se o conhecimento estivesse evaporando por causa de um único programa. 
       Sai pra conversar com as pessoas na rua pra ver quantas delas estarão esperando para ver a Valdirene enlouquecendo no Big Bods amanhã, espera pra ver. Cultura não é só aquilo que a gente gosta. Querendo ou não, big brother é cultura de massa e eu acho bem pouco provável que um dia deixe de ser. É a forma que encontram de agradar a maioria, com muita festa, bebedeira, exposição corporal, barraco e confusão. Afinal de contas, não é disso que o povo gosta? E pelo visto tem dado mais do que certo, olha como ainda repercute!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Days ago

       


         Talvez seja tão estranho escrever sobre isto, mas fazia tempo que não sentia essa emoção conforme presenciei há poucos domingos atrás. Posso não ser fã número um do Domingão do Faustão, muito menos do Fausto Silva que me irrita profundamente ao bombardear os convidados com tantas perguntas sem dar espaço para as respostas. Acontece que, atirada na poltrona da sala, curtindo um clássico romance americano, escuto o apresentador anunciar a homenagem que em breve seria feita para a Fernanda Montenegro, para que pudesse receber seu importante troféu Mario Lago. 
        Optei por dar uma trégua na leitura para prestigiar uma atriz que admiro tanto. Apesar de todas as declarações dos amigos, companheiros de trabalho que além de excelentes profissionais são ótimos na arte de nos emocionar, mais eu me encantava quando tocavam no assunto do relacionamento que ela teve com o seu marido, Fernando Torres, que foi ator, diretor, produtor de teatro, entre outras profissões relacionadas a arte, e que hoje já é falecido.
     Dentre todas as homenagens e demonstrações de carinho, resgataram uma gravação de um depoimento deixado por ele antes de partir. Entre cada palavra dele, havia uma magnitude, orgulho, admiração e amor que me contagiaram profundamente. Estava ali explícito para quem quisesse ver. Ele se expôs de corpo e alma. Óbvio que pela idade que tinham, não eram alvo de mídia. Nunca se comentava a respeito, não que eu me lembre pelo menos. Ouvindo-o falar, eu que nunca tive o conhecimento das suas histórias de vida, não segurei a emoção.
      Ali, nas palavras de um homem que amava à sua companheira foi onde encontrei a personificação da palavra relacionamento - dos valores que eu tenho como corretos. Tive cada vez mais certeza da grandeza de um companheirismo que não apenas sobrevive as dificuldades, mas que principalmente perdura com o passar do tempo. Se antes eu não conseguiria exemplificar um casal que me causasse admiração, hoje eu falo de boca cheia, pois ai estão - ou melhor, estavam. Pena tê-los descoberto tão tarde.
         Podem me chamar de antiquada, piegas, clichê ou dinossaura, pouco me importo quanto a isso. Escutá-lo falar das ventanias pelas quais passaram, das dificuldades que enfrentaram sem nunca abrir mão do respeito que tinham um pelo outro me fez acreditar que as coisas nais quais acredito existem de verdade. Um apoiou o outro nos seus sonhos, construíram juntos uma família, compartilharam tristezas e alegrias juntos - unidos, sempre unidos - porque quando se encontra alguém em que se ama de corpo e alma, a solidão não faz mais sentido. Enfrentaram a vida sem medo porque era na companhia de um do outro que driblavam as adversidades - que por sinal não foram poucas - nunca estavam sós.
         Na recordação deixada por um homem que pensava com o coração, as minhas lágrimas escorriam incontrolavelmente. Não adiantava eu querer disfarçar diante das pessoas que estavam na sala assistindo ao programa junto comigo, era idiotice minha fazer de conta que nada estava acontecendo. Eu estava emocionada, da mesma forma que estou agora, dias depois, só de lembrar disso. E se um dia eu pudesse ousar em viver ou querer algo parecido, queria um relacionamento que perpetuasse diante dos anos que passam desenfreadamente. Queria um amor insano, daqueles que transbordam a alma e invadem nosso corpo. Daqueles que descobrem as coisas juntos. Daqueles que além de amigos são companheiros. Daqueles amores que trazem vida mas que principalmente não morrem com o tempo.

Aprendendo. Voando. E muitos atrapalhando.

       Como é complicado conviver com gente que nos machuca sem nem se importar com isso. É muito fácil atirar uma pedra, falar o que bem dá na cabeça sem conhecer os desafios que cada um precisa enfrentar. Eu não suporto quem esmaga os meus sonhos ou desmerece os meus projetos pessoais.
          Espera aí um pouco, alguém sinceramente perguntou algo? Que mania nojenta de querer decidir coisas que não dizem respeito, interferir nas decisões, ditar o caminho alheio ou meter o bedelho só pelo prazer de infernizar.
       O inferno, neste caso, não é apenas falar. O problema é que atinge mesmo. Ou, no meu caso, isso me atinge muito. É triste verem te acusando tão pesada e friamente.
       Poxa, eu tenho os meus sonhos como qualquer outro ser humano. A diferença talvez seja eu estar erguendo as mangas para correr atrás de cada um deles. Não é fácil abrir mão de finais de semana, amigos, festas ou de muito tempo livre. Sabe como é querer ir visitar um conhecido e precisar ficar em casa cumprindo com os seus compromissos dia após dia? Querer curtir a família e necessitar estar alienada no computador? Precisar escolher entre uma coisa e outra? E a escolha ser sempre não poder ir, não poder estar presente, não poder, não poder e não poder?
       É estar totalmente consciente das desculpas que precisarão ser ditas, dos desaforos que serão recebidos por nunca estar presente. Porque não basta os desconhecidos apedrejarem, os mais próximos também conseguem nos espedaçar quando querem.
       Já disse o Eu me chamo Antônio esses tempos: Um dia a nossa liberdade será tanta que poderemos abrir nossas asas sem ferir alguém. Será que é possível isso acontecer? Como se faz para que os outros que nada tem com as nossas decisões e que decidem se sentir "feridos" de alguma forma possam enxergar nossas vidas não os dizem respeito? Alguém me ensina como se voa sem que tenha alguém mirando para atirar uma pedra certeira bem na nossa cabeça? 
       Gostaria de aprender a voar mais tranquilamente e sem tanta interferência, mas vejo que isso é cada vez mais impossível. Só me resta proteger meus sonhos, tentando encontrar pessoas para levá-los adiante. Cuidando muito para não me deixar levar por gente frustrada que não quer me ver feliz. 
         Se estamos ferindo os outros mesmo que não estamos fazendo nada de mal para eles, é porque certamente estamos chegando cada vez mais perto de se tornar a pessoa que eles não conseguiram ser. 
     Contudo, confesso que estou aqui, seguindo o meu caminho, embora tenha tanta gente mesquinha tentando me atrapalhar. Lamento em informar que, mesmo triste ou corroída, minha vontade de crescer na vida seguindo os meus ideias é muito mais forte que qualquer opinião sua. E espero, do fundo do meu coração, que um dia você(s) possa(m) se orgulhar de mim por verem que eu lutei muito para ser quem eu verdadeiramente sou.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Extraordinário



        Férias universitárias são sempre sinônimo de muito tempo sobrando. Gosto de gastar meu tempo com atividades que considero prazerosas, na tentativa de me tranquilizar até o semestre letivo voltar com tudo. Passeando pelas cidades vizinhas dou de cara com este livro: Extraordinário. Virei a capa, dei uma breve lida atrás e fui fisgada pelo assunto. Usei menos de uma semana do meu horário de almoço para devorá-lo. Foi assim mesmo, vapt vupt - rapidão.
        Sabe uma leitura gostosa, adorada e incrível? É assim mesmo que esse livro é. A escritora aborda sobre Disostose bucomaxilofacil, dando vida a um garotinho chamado August Pullman que luta diariamente para ter uma vida mais normal possível, porém, acaba encontrando desde novo muita maldade presente na sociedade, ou melhor dizendo, nas pessoas. 
      São incontáveis as situações que ele precisa enfrentar diante dos outros, escutando muitas coisas terríveis sobre sua aparência. Poucos disfarçavam, bem pelo contrário, a grande maioria gostava de fazê-lo se sentir inferior, diferente, uma completa aberração. Dono de uma personalidade incrível, August encontra sempre apoio na sua família generosa que o incentiva a todo momento a não desistir da escola. Ele precisava de professores para ensiná-lo  o que a sua mais já não consegui mais. Isso tudo era questão de crescimento pessoal para ele e também para a família que queria protegê-lo do mundo.
   Eu tinha vontade de pegar o garotinho no colo, pensando nas dificuldades que ele estava enfrentando por ser diferente. Ainda mais no colégio, numa fase em que as crianças são extremamente terríveis, e o bullying acontece de tudo quanto é lado. Quando ele  conclui o ensino fundamental, fala que seu preceito é: Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo. Não tive outra escolha se não terminar o livro sorrindo com gratidão, que foi a expressão predominante desde as primeiras páginas.
      Ahhhh, e garimpei essa foto na internet só que não achei os créditos. Espero que sintam vontade de ler, porque como o próprio nome diz, a história é extraordinária.

Sob a minha ótica: Hitler - Retratos de uma tirania

       



            Nunca fui fã de história, muito menos na minha época de colégio para falar a verdade. Aprendi na cadeira de Teorias da Comunicação, que a forma como ensinam os alunos atualmente foi inventada há muitos anos atrás - no século XIX se não estou enganada. Querendo ou não, a juventude anda cada vez mais impaciente e dispersa, além de mais atucanada do que nunca. Tenho convicção de que isso será mais intenso dia após dia por causa da internet, decorrente de como buscamos por informação. Ou seja, se a forma como os jovens são ensinadas não forem atualizadas, acredito que o interesse continuará não sendo despertado.
      Após um período me sentindo enjoada de tantos romances policiais, acabei esbarrando em uma livraria com uma das obras do Augusto Cury chamada O colecionador de lágrimas. Como percebi que tinha fatos históricos dentro de uma ficção, foi então que pensei: tá aí, é exatamente disso que eu estou procurando agora. Quem sabe a história que tentaram aplicar em sala de aula começa a despertar interesse de uma vez por todas. 
       Mergulhei, então, nesta ficção de um professor que estava cansado de ver seus alunos repetindo informações ao invés de serem formadores de opiniões. O passado misturava-se com o futuro trazendo pessoas daquela época terrível para o presente. Pode parecer uma maluquice completa, só que foi a partir deste livro que comecei a me interessar por história. Foi naquela busca incansável do professor tentando tirá-los dos aparelhos eletrônicos, lutando para que prestassem mais atenção em suas aulas que não consegui mais desfocar do assunto.
      Quando comprei Hitler - Retratos de uma tirania, do escritor Fernando Jorge, também achei que abordaria a ascensão desse abominável ditador em termos psicológicos. Descuido meu a parte, não me dei por conta que desta vez a história seria contada por um jornalista e não por um psiquiatra, como é o caso do Augusto Cury. Sem sombra de dúvidas Fernando Jorge abordou a história como ela foi, trazendo fatos, acontecimentos e até mesmo cartas enviadas pelo Fuhrer alguns anos atrás - que não foram tantos assim embora a gente lida com o assunto como se tivesse acontecido há milénios. 
      Quanto mais eu leio a respeito, mais eu fico abismada com tudo. Hitler, que até fome passou, foi desprezado pelo seu pai por querer ser um pintor, e amava muito a Alemanha. Nas observações feitas pelo escritor, psiquiatras já observaram que ele exagerava as coisas doentiamente. Nada de meio termo, ou gostava-se ou adiava-se. Eu sempre achei, por exemplo, que a teoria de purificação da raça ariana era dele, mas não era. Como li, esta teoria é do Francês Arthur de Gobineau, mais conhecido como Conde de Gobineau, que a criou, embora tenha se baseado em outras teorias racistas para criar esta. Hitler apoderou-se totalmente das ideias deste preconceituoso francês, decidindo segui-las porque realmente considerava os alemães superiores e ponto final. 
      É incontestável que apesar de toda a maldade daquele ser humano, ele era extreamente inteligente. Encontrou na Alemanha devastada após a primeira guerra mundial a possibilidade de crescimento pessoal. Precisou pedir autorização do governo alemão para voluntariar-se na guerra já que era de nacionalidade austríaca (outro fato que me era desconhecido). Trabalhou como voluntário na primeira guerra como mensageiro, machucando-se inevitavelmente enquanto tentava conseguir informações, pois ficava nas primeiras linhas de combate.
     A cegueira foi consequência temporária, ficando no hospital por poucos meses. Ao sair de lá e com a visão de volta, associou-se a um partido que estava crescendo. O seu gosto pela política se expandiu de forma considerável, e rapidamente tomou parte do partido, participando dos comícios, reuniões, organizações até chegar ao ponto de discursar. Era na oratória que ele dominava, pois levava o povo ao delírio com muita facilidade. Com publicidade Hitler conseguiu atingir um número de incontáveis seguidores, que crescia mais e mais após cada discurso. 
     Bom, sei que muita gente também quer conhecer mais o assunto, por isso eu sinceramente recomendo este livro aqui para leitura. Não vou contar todo o restante porque perde a graça, né? Quem se interessa precisa ir atrás para saber mais. Mas, já adianto que há muitas fotos desde o tempo em que ele era pequeno, dos desenhos que fazia até o momento em que a população o idolatrava. Além de curiosidades, especulações, pensamentos das pessoas que conviveram como ele, tem também uma breve parte do seu livro intitulado Mein Kampf (minha luta) que fora escrito no período em que esteve preso. Para quem gosta de um relato imparcial, aí está a minha dica.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

07 de janeiro, dia do leitor.



          Quando abri o facebok hoje pela manhã, vi a foto de uma das fanpages de dicas de livros que costumo acompanhar. Uma frase estava praticamente pulando através da minha tela: Parabéns, dia 07 de janeiro é o dia do leitor. Senti aquele arrepio percorrer minha nuca porque tive a certeza que é um dia especial para quem, assim como eu, disponibiliza tanto tempo diário com algo tão prazeroso.
      Há muito tempo sou apaixonada pela leitura, ficando complicado escolher um título mais adorado que outro. São várias, inúmeras - incontáveis obras brilhantes que já li. Se pudesse, queria parabenizar cada escritor, um a um. O meu primeiro encanto foi o pequeno príncipe, ainda menina quando ia na casa da vizinha admirar uma estante imensa com os meus redondos e grandes olhinhos brilhantes.
       Recordo com perfeição que ela não costumava me emprestar nenhum deles porque eu era muito pequena, e como toda pessoa apaixonada pelos seus pertences, ela também tinha medo de que eu pudesse estragá-los. Não me importava nenhum pouco de ir após a aula para sua casa, sentar no chão ou no sofá para ler. Lá, por muitas tardes ou manhãs, conforme variava o ano de estudo, eu aprendi a viajar, imaginar e principalmente foi ali que comecei a me apaixonar.
         Minha mãe não tinha esse hábito, meu pai muito menos, mas minha irmã mais velha que tem três anos de diferença de mim já começava a dar os primeiros passos quanto a isso, carregando seus livrinhos de lá para cá todo o tempo. Essa minha vizinha, que na época era professora, conseguiu despertar algo que pretendo carregar para o resto de minha vida. Parece que foi ontem que eu parava na frente do seu portão gritando: Tia Vera, já posso entrar?
        Agora eu sei como é importante apresentar um novo mundo para as crianças, incentivando-as a encontrar algo de seu interesse. Mesmo sendo pequenos seres, nossas diferenças já vão se sobressaindo nos passatempos escolhidos. Atualmente já tenho mais de 100 títulos, tendo que guardar muitos embaixo da cama dentro de uma mala porque simplesmente não tenho onde colocá-los, fazer o que se opto por comprá-los em demasia ao invés de roupas ou calçados?
       De lá para cá nunca mais parei, eu tive apenas curtos espaços de tempo. É normal nos enjoarmos ou decepcionarmos com alguma obra ou autor, por isso, às vezes acabamos dando uma trégua. Nada muito duradouro porque algo nos chama, aquela voz interior sempre volta a gritar alto demais. É só passar por uma livraria que a agitação se inicia novamente. Aquele cheirinho de livro novo é melhor que perfume de marca, inebriando nossa mente. É viciante demais colecionar, devorar, acumular. E não sei se estou conseguindo transmitir isso.
         Ansio loucamente por ter a minha biblioteca repleta de prateleiras que eu imagino serem desenhadas exoticamente com fortes sustentos para não correr o risco de despencarem como já aconteceu tempos atrás. Seria loucura se eu falasse aqui que o único espaço da casa que pretendo ter um dia que eu paro para ficar imaginando é o ambiente da minha biblioteca? Quanto ao restante seja o que Deus quiser.
       Para finalizar, quero comentar que esta foto é da minha irmã mais nova. Registrei esse momento ontem à noite enquanto estava extremamente concentrada. Ela sempre lê antes de ir se atirar na minha cama para fazer bagunça, ganhar algum chamego ou rir das minhas palhaçadas. Se este hábito está na nossa genética ou se é reflexo do meu comportamento eu não sei responder, mas me rasgo de orgulho quando a vejo compenetrada nas histórias condizentes à sua idade.
      Se eu pudesse ousar em te dar um conselho, diria para ler mais. Não interessa se for de literatura, didático ou teórico. Já dizia Albert Einsten que a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original, não é mesmo?