quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sobre uma tal de dor

          Desculpa, havia prometido não tocar mais neste assunto, tampouco que sofreria essa dor novamente. Nunca tive vergonha ou medo de falar que levei algum tempo para me recuperar desse "tombo".  Tombo .. palavra esquisita, né? Juro, achei que já estivesse curada, que ao ver uma foto atual sua, a cicatriz não se abriria nunca mais. Mas não, eu me precipitei, fui leviana e prepotente com os meus próprios sentimentos, estava redondamente enganada sobre as minhas emoções, o que obviamente demonstra que preciso aprender a me conhecer melhor.
            Senti que os pontos desse ferimento estão ainda aqui comigo. E, se fosse possível personificar uma imagem, diria que vejo gotas de sangue escorrendo, assim como aconteceu no dia em que cai em cima de um copo de vidro, no  qual despertei de um desmaio com a perna ensanguentada, com gotas cristalinas e avermelhadas saindo uma  a uma de um longo rasgo na minha perna direita. É isso que sinto, os pontos deste machucado sendo arrancados a dente - um a um, como se essas mesmas gotas cristalinas continuassem a escorrer.
            E, desculpa novamente, mas não são sentimentos bons, muito menos algo pelo qual eu me orgulhe de escrever. É uma junção de nojo, raiva, desdém e mágoa. Eu sei, não deveria ter fuçado no seu perfil numa rede social que nem o tenho mais como amigo, afinal, quem procura sempre encontra alguma coisa, não é mesmo? Pois então, eu achei. 
         Achei o resquício de um sentimento que optei por abandonar, mas que não deveria acordar ao ser cutucado. O plano inicial era abandoná-lo para me livrar mesmo de tudo e não ter que remoê-lo lá de vez em quando. Sou ciente de que coloquei minhas dores dentro de uma "caixinha" para lidar com isso mais tarde. Não vamos falar agora, muito menos tentar entender o que aconteceu. Não Luciana, não vamos atrás de nada, não vamos questionar, não vamos lidar com isso hoje, não, não e não .. Amanhã é um novo dia, apenas espere o tempo passar. 
         Há muitos meses venho esperando o tempo passar, não sabendo explicar se era o melhor a se fazer. Ainda não tenho certeza sobre nada, mas esta foi a solução que encontrei na época, apesar de saber que repetirei ato mais uma vez. Abafarei o assunto novamente, anularei o acontecido, entreterei minha mente com outros afazeres e continuarei deixando o tempo passar para que esse incômodo desapareça de dentro de mim.  Se essa ladainha um dia vai ter fim, somente os próximos textos responderão. Mas agora não é o momento certo, que tal marcarmos de tomar um café e falarmos sobre isso amanhã?

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