quarta-feira, 5 de março de 2014

Vem cá, vem cá!


        Vem cá, vem cá e me dê sua mão!
        Eu deixo você brincar com o nó dos meus dedos ou continuar com aquela sua brincadeira insana de ficar tentando estalá-los a todo custo sempre que me vê. Eu quero ter a certeza de que estás ao meu lado, cuidando e me mimando enquanto brinca tanto comigo. Não consigo acreditar que nos distanciamos por tão pouco, que um quase nada está transformando o encanto em desencanto.
      Moramos longe, nos vemos tão pouco e já estivemos tão perto um do outro, não é mesmo? Posso me agarrar as lembranças maravilhosas que construímos juntos ou devo esperar a tempestade passar para construirmos novas e indeléveis recordações?
     Fecha os olhos e sinta o meu abraço apertado chegando aí, acompanhado de intermináveis beijinhos que se iniciam no pescoço e sobem sem pressa alguma passando pelo seu maxilar marcado, orelhas fininhas (acompanhado de uma mordidinha), bochechas gordinhas, olhinhos nipônicos, pontinha deste nariz bicudo até chegar ao destino final, sua boca fina e reta, como se tivesse sido desordenadamente desenhada a traços leves.
    Enquanto mentalizo agitada tentando parar o tempo, vou me aninhar nestes braços de polvo com a certeza de que mais dia menos dia, ainda serei enxotada a pontapés do banco do seu carro.


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