terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Acordei querendo falar de encaixe, sabe?



         Até pouco tempo atrás, muito pouco tempo mesmo, esta palavra me remetia apenas a uma pequena combinação de peças, dessas pecinhas de jogos de quebra-cabeça sabe. Talvez fosse um certo bloqueio do meu cérebro por não conseguir enxergar "fora da caixa" ou ter uma visão 360 das coisas, mas terás de concordar comigo que é muito mais difícil e insosso teorizar qualquer coisa sem experimentar na prática o resultado final.  
         Como num jogo de quebra-cabeças em que as peças precisam ser encaixadas perfeitamente, desejo que as peças também se encaixem na vida real. Não como um quebra-cabeça pequeno, e sim daqueles de cinco mil peças que dão muito trabalho e são prazerosos no final, por isso estou fazendo uma analogia gigantesca em relação a ligação entre duas pessoas e a dificuldade de completar esse jogo perfeitamente. Em ambas as situações, precisa-se de tempo, dedicação e paciência, mas com tanta gente supérflua e desinteressante, se torna cada vez mais complexo, chato e desmotivador encontrar a nossa peça certa para o grand finale.
         E, se por ventura, o encaixe for somente entre quatro paredes, será que sustenta-se por muito tempo sozinho? E se a outra pessoa em questão for charope, chatinha, complicada e não se contentar só com isso, o que fazer, então? E se ela - audaciosamente - quiser um encaixe completo, com direito a boas conversas, ótimas risadas, abraços gigantescamente apertados, beijos de tirar a razão juntamente com altos e baixos entre quatro paredes? (Observação importante aqui porque precisam ser muitos momentos de cumplicidade e ainda mais momentos de altos e baixos nessas benditas quatro paredes).
         Aquele momento sublime da junção dos corpos que é imensuravelmente melhor do que qualquer conversa banal nas porcarias das telas estáticas. Quero sentir, novamente na sua companhia, o arrepio subindo do pé e indo até minha nuca, intercalado e desenfreadamente, sem ordem ou momento certo para acontecer. Quero muitas marcas roxas no ossinho da minha cintura e lambidas no pescoço (coisa que já achei de extremo lambuzo e hoje estou lidando com muita facilidade, diga-se de passagem). Quero ainda mais mordidinhas na orelha, puxões de cabelo, você em cima de mim e eu em cima de você, porque neste caso, a ordem dos fatores não vai alterar em absolutamente nada.
      Quero ainda mais tréguas, incontáveis momentos de parceria pós minutos de loucura e muitos beijinhos delicados nas costas. Quero coração acelerado, ritmo frenético e contagens até mil para recuperar o controle. Quero mais cérebro oxigenado, arranhões nas costas, descobertas entre uma carícia e outra e este sorrisinho bobo que inconscientemente você tem nos lábios agora (não está?). Quero continuar extravasando cada vez mais o monstrinho que só você teve percepção de encontrar e conseguiu libertar dentro de mim. Quero aprender muito contigo, e se possível, conseguir te ensinar alguma coisa também. Quero continuar a encostar a cabeça no seu peito e ouvir-te dizer: estou escutando seu coração bater. Quero que tire meus pés dos chão, minha mente dos problemas e que continue a brincar com o meu corpo sem que as minhas neuroses apareçam. Quero que me respeite, que não tenha medo de cometer loucuras e que sejas cada vez um homem melhor. E pra finalizar, quero que a gente possa aprenda alguma coisa (muitas coisas) juntos.
         Depois de tudo isso, embora possa parecer um desabafo, não se preocupe que não há uma aliança escondida que se personalizará em 4D aí na sua frente e tampouco o pedirei em namoro. Quando eu te disse que detestava coisas rasas, eis aqui um motivo: não há nada que eu faça sem me atirar de corpo e alma. Acho que os dois combinam melhor se forem usados sempre juntos, seja no trabalho, em um relacionamento ou até mesmo em um texto que crio, pois quando liberto a imaginação e penso além da minha razão, as coisas sempre fluem mais harmoniosamente.       
         Não tive culpa de querer escrever essas coisas, muito menos de ouvir a inspiração soprando em meu ouvido enquanto eu sorria entre um beijo e outro que recebia na bochecha direita, essas coisas simplesmente acontecem comigo. Talvez você já tenha percebido que tenho mais facilidade em escrever do que em falar. Talvez você já tenha percebido que eu falo muita besteira e protejo demais os assuntos sérios. Talvez você não tenha percebido nada disso ainda. Talvez, num impulso, você pense que estou cega de amor hahahaha ou talvez você não pense absolutamente nada, assim como eu mesma faço, não estragando coisas preciosas por pensar demais, embora você tenha essa mania incansável de buscar significados subentendidos que na grande maioria das vezes não existem em lugar nenhum, ou será que existem e eu não os enxergo?
         Será que tem lógica esconder algo tão bonito de dizer e tão gostoso de ouvir? Avisei-te de antemão que interessar-se por uma pessoa literárica é um problema sério, porque não há dúvidas de que você viraria um texto ou se misturaria em alguma outra criação minha futuramente. Isso é inevitável porque varia do estado de espírito e da disponibilidade de tempo. Porque no meu caso, para cada momento difícil uma vontade louca de escrever aparece para que procure o tal ponto de equilíbrio, acontecendo exatamente a mesma coisa com os bons momentos, e aqui nada mais está do que o reflexo de tudo que eu já te disse. Não há um amor arrebatador entre a gente porque nem tivemos tempo para isso, mas isso é o que acontece comigo. Eu preciso escrever, preciso me encontrar e me entender. Desculpa se gosto de esclarecer as coisas, se amo mimar e surpreender. Adoraria poder ver sua expressão ao ler este anexo que escrevi cuidadosamente. Não vou te passar meu blog porque quero que você tenha o seu ponto de vista, não sendo embaralhado pela minha ótica. Juro não me importar de ir compartilhando aos pouquinhos os meus pensamentos, sem nenhum estresse ou vergonha. Saiba que, se você fosse importante o suficiente, certamente eu teria escrito isso à mão e teria escondido no seu carro para que você pudesse achar tempos depois.

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