sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ignorance


         Ontem, conversando com uma pessoa conhecida, aliás, minha parente para ser mais sincera, escuto tamanho absurdo: 
- Ei Luciana, viva mais o mundo real, por favor? Por aqui as coisas não são tão fáceis, nem são tão alegres ou divertidas guria. As pessoas não são tão boas e os relacionamentos são MERDAS mesmo. Viva por aqui, seja realista. Esta é a sua realidade assim como a nossa. O dia que você encontrar alguém e se apaixonar como as pessoas comuns fazem, assim como todas as outras, garanto que a vontade de escrever e essa magia tola na qual acreditas vai diminuindo consideravelmente. Aposto contigo, o que você quiser, que isso é questão de tempo até se esvair por completo.
         Sou daquelas pessoas que não sentem necessidade de rebater tudo que ouço porque costumo dar passagem para muitas asneiras para simplesmente não me estressar com determinas opiniões, mas desta vez foi diferente. Não me questionei nem por um segundo se realmente valeria a pena, por isso acabei disparando:
- Desculpa a minha sinceridade, mas não me recordo de colocar em debate aquilo que acredito ser verdade ou não. É mais provável que o problema esteja contigo do que comigo. Eu não perco o encanto que tenho na vida por qualquer pessoa. Muito menos vou deixar qualquer um rasgar meus sonhos sem dó nem piedade. Lamento muito por você, que pelo que me parece, perdeu o encanto em tudo. Não quero que se preocupes comigo, não perca tempo enxergando o mundo somente sob o seu ponto de vista. Cada um vive da maneira que melhor se adeque à sua personalidade, e cá estou eu, fazendo minha parte. Cá estou eu alienada nas minhas leituras (e levantei o épico romance Orgulho e Preconceito da Jane Austen) vivendo no meu mundo. Ambos fazem parte de mim, ambos precisam se misturar. Minha vida jamais teria graça se eu não convivesse com as pessoas dos livros. Minhas loucuras jamais fariam sentido se forem comparadas a tudo que é banalizado atualmente. Só te peço que não me julgues pela sua opinião, tampouco pelo seu estilo de vida. Eu não gostaria de viver a vida que você leva, não sei se suportaria viver sem sentir um frio na barriga de vez em quando por desconhecer novos projetos ou desafios. Levar a mesma vida todo santo dia enquanto espero a velhice ou a morte bater em minha porta não faz parte da minha realidade. Se é para me julgar, sinceramente não faço questão de ouvir. É mais do que óbvio que somos pessoas diferentes, então por que essa necessidade de ficar cutucando ou causando intrigas?
         Sabe de uma coisa, acabei fazendo a pergunta sem esperar pela resposta. Virei meu rosto e como num volto atravessei a sala. Olhar para trás foi algo que nem me passou pela cabeça porque canso só de ouvir esse tipo baboseira. Mesmo dando passagem na grande maioria das vezes, em determinadas situações eu explodo. Que mania das pessoas tentarem nos adequar a vida delas como se existisse apenas uma única maneira de levar a vida. É nítido que aquele é o mundo que conhecem, o universo que é familiar. Não quero julgá-las por isso, só adoraria que me respeitassem, só um pouquinho que fossem. Será que estou pedindo demais?


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