quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cilada a vista.

          Não, não estava escrito em lugar nenhum que aquilo era cilada pura, aquela cilada das grandes, sabe? Daquelas que levam um tempo gigante até a gente se recuperar por completo, ou melhor dizendo, tentar se recuperar. Olhando pra trás sem remorso, vejo que meu excesso de bondade não me permitiu enxergar além do óbvio. Criei o que eu queria enxergar, vivi o que eu queria viver e sonhei expectativas irreais sem perceber que o mundo mágico era só meu – meu e de mais ninguém. E me atirei de cabeça, sem dó nem piedade, num amor tão raso que chega a dor até hoje. Não a dor de não ter mais a pessoa compartilhando momentos inesquecíveis comigo, mas a dor de precisar levar umas pancadas pra aprender que as pessoas mentem, iludem, falam o que não sentem, são momentâneas e principalmente despretensiosas. Não seria menos doloroso aprender de outra forma? Quem sabe em um daqueles livros chatinhos de autoajuda ou inteligência emocional? Pra falar a verdade, não sei de nada mais. Só carrego comigo a dor que senti ao levar uma rasteira cruel enquanto queria que algo desse certo. E, sendo sincera como eu nunca fui antes, acho que pela primeira em toda a minha vida eu quis que algo desse certo de verdade.
        No fundo nunca terei como saber se as palavras sussuradas no meu ouvido eram verdadeiras, tampouco se você realmente sentiu o que dizia sentir ou se aquilo foi fogo de palha passageiro que durou semanas suficientes para você pular fora no primeiro contratempo. Ahhhh, pula fora, duas palavras que soam com mais naturalidade aos meus ouvidos depois de ter convivido contigo. Duas palavras que se resultam em uma só: otário. Mas, diga-se de passagem que é um pula fora inteligente, articulado, de palavras mansas e gestos suaves. Um pula fora atencioso, que beija muito bem e sabe usar perfeitamente as mãos. Um pula fora malandro, bom de papo, de sobrancelhas arqueadas e nariz pontiagudo, mas que preferiu usar toda sua inteligência para uma das piores coisas que existe no mundo: que é mentir.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Sem delongas ou mais melancolias


          Meu estômago hoje acordou embrulhado de nojo. Se o problema está em acreditar demais, eu não sei responder ao certo - não por enquanto. Estou na dúvida se ainda vale a pena depositar tanta confiança nas pessoas. Então me pergunto: por que diabos elas acabam brincando tanto com a gente? Por que falam coisas que não gostariam de dizer somente para nos impressionar? E por quê não pensam um pouco mais nos prós e contras?
          Eis que no meio desta bagunça, tenho ânsia só de lembrar de como me expus para receber tão pouco em troca. De como abri meu coração tão verdadeiramente para que alguém pudesse vir e pisoteá-lo. De como construí sentimentos para serem desdenhados num curto período de tempo. De como nem todo mundo é capaz de reconhecer e dar valor ao que sentimos.  De como não precisamos esperar o mundo girar para que tudo volte ao seu devido lugar, a gente mesmo coloca os pingos nos is, ergue a cabeça e segue em frente.
       O fato, é que junto disso, fica como herança uma ferida que demora para ser cicatrizada, além de que ficamos cada vez mais descrentes, calejados e com pouquíssima esperança nos relacionamentos (e isso serve para qualquer tipo de relacionamento, não nos limitamos somente aos amorosos), sabe por quê? Por que a história se repete. E sim, se repete com um montão de gente o tempo todo. Aconteceu com a sua amiga tempos atrás, com a amiga da sua amiga e com a amiga da amiga da sua amiga esses dias. Inclusive, escutei algo a respeito da amiga da amiga da amiga da minha amiga falando coisas semelhantes, e se não estou enganada, o jogo era muito parecido no final das contas. As mesmas histórias, os mesmos trelelês, as mesmas lágrimas derramadas por quem não as merecia.
           Um eterno jogo de perde e ganha. Um incansável jogo de aprendizado contínuo, no qual as peças são os nossos sentimentos, as decepções e frustrações que precisamos lidar. É uma pena que não seja aquele enfadonho joguinho de xadrez em que movimentos o rei, a dama, ou a rainha despreocupadamente. A merda, é que acabam brincando contigo como se você fosse apenas mais uma peça para o joguinho delas, um oco entretimento para deixar o passatempo mais divertido. E em algum período iremos nos deparar com a malandragem de quem apenas quer acumular pessoas em suas vidas. O que é mais chato, para ser bem sincera, é que o mundo está cheio desse tipo de gente. Está repleto de falsos galanteadores, falsos poetas, falsos amigos, falsos conquistadores, falsos interessados, falsos "irmãos" .. falsos, falsos .. e falsos.
         Sem delongas ou mais melancolias, não há nada melhor que chutar esse tipo de gente pra bem longe. E com alegria digo: o bom de estar vivo é que tudo se renova e o sol volta a brilhar com o passar dos dias.


terça-feira, 29 de abril de 2014

Se for vir

          Se for vir, vem sem medo e principalmente desapegado. Deixe a alma despida para encaramos novas vivências e buscarmos por novos aprendizados. Abandone pelo caminho os pesos que sobraram, nada de carregar essas dores desnecessárias. E para hoje, eu quero tudo novo. Mais AMOR, CORAGEM, VONTADE e LEVEZA DE ESPÍRITO, por FAVOR!

Botão de delete

            
         Queria que ao lado da minha cama tivesse um botão de delete, como se eu pudesse, com um simples e único clique, eliminar os pensamentos da minha mente - um bendito esvaziar de tudo. Impressionante como o ato de desligar o interruptor e encostar a cabeça no travesseiro faz com que as lembranças se intensifiquem consideravelmente, mas não deveria ser assim. Essas coisas não poderiam estar diretamente interligadas. Na calada da noite, quando estamos atirados na cama espaçosa, ficamos mais vulneráveis, desprotegidos e atordoados, pois tudo gira aleatoriamente num maldito flashback desregulado. O ambiente é propício, por isso a melancolia vai chegando de mansinho até preencher todo o lugar, então, sem nem nos darmos por conta, estamos ali revivendo as palavras ditas sem preocupação alguma num dia qualquer, o carinho que fora feito cuidadosamente na mão direita enquanto os nós dedos eram alvo de brincadeiras, os beijos silenciosos dados nas bochechas e barulhentos recebidos nos ouvidos, porque tudo não passa de singelas lembranças.
         A vida, por si só, é uma mala cheia dessas recordações que vamos carregando por aí. Algumas ficam pelo caminho enquanto outras insistem em avivar-se tanto - em especial para as pessoas que têm um coração gigante pulsando no peito, que lutam para desprender-se com mais facilidade de tudo. No fim das contas, a prisão que parecia ser fechada com grades perpétuas, vai abrindo umas frestas aos pouquinhos, até chegar uma hora em que o sol irradiará novamente, fazendo que com que tudo não tenha passado de uma simples e doce ilusão.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Que não há nada aqui dentro


Queria dizer, afirmar ou até mesmo
berrar aos quatro ventos.
Que não há nada aqui dentro
que me faça mais viva
do que a arte de amar.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

POR FAVOR, É PROIBIDO ESTACIONAR NA VIDA.


            O exagero me estressa profundamente, e quer saber de uma coisa? Vá se ferrar! Quem foi que disse que precisamos viver alienados? Se eu gosto de beber, preciso encher a cara toda a semana. Se gosto de malhar, vivo na academia e não tenho tempo para mais nada. Se estudo, como os cadernos e esqueço de me socializar. Se curto fazer festa, preciso emendar de quarta a domingo - sem falta e todo final de semana. Se gosto de futebol, só não como a bola porque ela não atravessa a televisão ou o jornal. Se arranjo um companheiro, vivo exclusivamente para essa pessoa, esquecendo totalmente de quem sou, do que gosto e o que priorizo.
            Meu Deus, aonde fica o meio-termo nessa história? Será mesmo que não é possível equilibrar toda essa turbulência para sair do olho do furação de vez em quando? É preciso RESPIRAR, socorro! Sabe aquela velha história de que oxigenar o cérebro faz bem? Pois é, então, é mais ou menos por aí que estou tentando me referir. Tenho vontade de sacudir quando escuto alguém vir com aquele tal mimimi de sempre, se limitando ou escondendo-se atrás de ai isso, ai aquilo, ai aquele outro. Eu acho que falta vontade e sobram desculpas esfarrapadas, para ser bem sincera. Não quero projetar meus sonhos em ninguém, tampouco que sejam parecidos comigo, é só que .. queria vê-los voando longe sabe, cada um com o seu desejo e com o seu objetivo, dando a cara a tapa mesmo, sem receio, medo, insegurança ou falta de vontade - principalmente os meus amigos que gosto tanto, pelos quais perco o juízo quando escuto determinadas coisas. Por essas e outras razões que fico assim tão alterada querendo escrever a respeito, porque me dá nos nervos quando vejo-os empacando ou estacionando, aquela velha mania de parar com todo o resto.
            Afinal, dá pra fazer tudo, um pouco de tudo - basta querer. E a tal da vida passa rápido demais, ela não espera a gente se dar por conta disso. Talvez eu tenha tido sorte de conseguir enxergar essa realidade com apenas 20 e poucos anos, ou quem sabe, foram as intermináveis conversas com a minha psicóloga que serviram para abrir os meus olhos para a vida. Não foram duas nem três vezes que a escutei dizer: Luciana, depois que você sair da churrascaria é possível sim ver seus amigos e fazer festa. Você pode muito bem estudar, como também pode se socializar, namorar, ir no cinema ou em shows. Você pode malhar, ler seus livros, fazer faculdade, o curso de inglês, continuar trabalhando com iniciação científica, escrever seus textos e fazer o que mais der vontade - basta se organizar e aprender a priorizar o que for mais importante.           
          Agora, escrevendo a respeito, é como se eu pudesse escutá-la dizendo mais uma vez: sabe de uma coisa Luciana? Sempre tem um amanhã, um outro dia, um outro jogo de futebol, um novo campeonato, uma outra festa interessante, uma pessoa diferente que consequentemente te despertará para coisas diferentes, um outro sonho, um desejo inesperado, uma vontade insana e assim por diante. Tudo se renova, se modifica, se ajusta e se recria. Quando se quer algo de verdade, a gente dá um jeito. Aperta daqui, estica dali e ponto final. O que não dá é pra perder tempo, ou melhor dizendo, continuar perdendo tempo. Hoje, se eu pudesse, dava um choque elétrico em algumas pessoa e ainda tatuava na testa: POR FAVOR, É PROIBIDO ESTACIONAR NA VIDA.           
          Um abraço apertado de alguém que gostou muito de viver no meio do caos, por isso, atualmente tem muita dificuldade de compreender determinadas realidades que se tornaram tão distintas da minha. Talvez por já ter passado muito tempo estacionada, enxergando como se estivesse usando um tapa-olho, assim como os que colocam em cavalos, e não diferente dos animais, eu conseguia olhar só pra frente, não percebendo todo o resto que continuava girando em minha volta sem que eu me desse por conta disso.





sexta-feira, 11 de abril de 2014

Deixe ir.


Deixe ir.
Deixe ir.
Deixe ir.
         O que for verdadeiramente seu, voltará por alguma razão. Não adianta pressionar, insistir e persistir em algo que já passou. Tudo o que acontece conosco sempre acontece por alguma razão, quer aceitamos isso, quer não. Fecha os olhos garota, deixa o cabelo bater no rosto nesta tarde ensolarada de outono e permita que esse ferimento cicatrize de uma vez por todas.
         Onde está aquela energia maravilhosa que emanava de seu corpo entre uma gargalha e outra, hein? Pessoa nenhuma tem o direito de arrancar isso de você. Volta lá, recupere-se, junte os pedaços que ficaram e reerga-se porque definitivamente não vale a pena ficar olhando somente para trás.