Não, não estava
escrito em lugar nenhum que aquilo era cilada pura, aquela cilada das grandes,
sabe? Daquelas que levam um tempo gigante até a gente se recuperar por completo,
ou melhor dizendo, tentar se recuperar. Olhando pra trás sem remorso, vejo que
meu excesso de bondade não me permitiu enxergar além do óbvio. Criei o que eu
queria enxergar, vivi o que eu queria viver e sonhei expectativas irreais sem
perceber que o mundo mágico era só meu – meu e de mais ninguém. E me atirei de
cabeça, sem dó nem piedade, num amor tão raso que chega a dor até hoje. Não a
dor de não ter mais a pessoa compartilhando momentos inesquecíveis comigo, mas
a dor de precisar levar umas pancadas pra aprender que as pessoas mentem,
iludem, falam o que não sentem, são momentâneas e principalmente despretensiosas.
Não seria menos doloroso aprender de outra forma? Quem sabe em um daqueles
livros chatinhos de autoajuda ou inteligência emocional? Pra falar a verdade,
não sei de nada mais. Só carrego comigo a dor que senti ao levar uma rasteira
cruel enquanto queria que algo desse certo. E, sendo sincera como eu nunca fui
antes, acho que pela primeira em toda a minha vida eu quis que algo desse certo
de verdade.
No fundo nunca terei como saber se as palavras sussuradas no meu ouvido eram verdadeiras, tampouco se você realmente sentiu o que dizia sentir ou se aquilo foi fogo de palha passageiro que durou semanas suficientes para você pular fora no primeiro contratempo. Ahhhh, pula fora, duas palavras que soam com mais naturalidade aos meus ouvidos depois de ter convivido contigo. Duas palavras que se resultam em uma só: otário. Mas, diga-se de passagem que é um pula fora inteligente, articulado, de palavras mansas e gestos suaves. Um pula fora atencioso, que beija muito bem e sabe usar perfeitamente as mãos. Um pula fora malandro, bom de papo, de sobrancelhas arqueadas e nariz pontiagudo, mas que preferiu usar toda sua inteligência para uma das piores coisas que existe no mundo: que é mentir.
No fundo nunca terei como saber se as palavras sussuradas no meu ouvido eram verdadeiras, tampouco se você realmente sentiu o que dizia sentir ou se aquilo foi fogo de palha passageiro que durou semanas suficientes para você pular fora no primeiro contratempo. Ahhhh, pula fora, duas palavras que soam com mais naturalidade aos meus ouvidos depois de ter convivido contigo. Duas palavras que se resultam em uma só: otário. Mas, diga-se de passagem que é um pula fora inteligente, articulado, de palavras mansas e gestos suaves. Um pula fora atencioso, que beija muito bem e sabe usar perfeitamente as mãos. Um pula fora malandro, bom de papo, de sobrancelhas arqueadas e nariz pontiagudo, mas que preferiu usar toda sua inteligência para uma das piores coisas que existe no mundo: que é mentir.