Queria
que ao lado da minha cama tivesse um botão de delete, como se eu pudesse, com um simples e único clique, eliminar os pensamentos da minha mente - um bendito esvaziar de tudo.
Impressionante como o ato de desligar o interruptor e encostar a cabeça no
travesseiro faz com que as lembranças se intensifiquem consideravelmente, mas
não deveria ser assim. Essas coisas não poderiam estar diretamente interligadas.
Na calada da noite, quando estamos atirados na cama espaçosa, ficamos mais vulneráveis,
desprotegidos e atordoados, pois tudo gira aleatoriamente num maldito flashback
desregulado. O ambiente é propício, por isso a melancolia vai chegando de mansinho até preencher todo o
lugar, então, sem nem nos darmos por conta, estamos ali revivendo as palavras
ditas sem preocupação alguma num dia qualquer, o carinho que fora feito
cuidadosamente na mão direita enquanto os nós dedos eram alvo de brincadeiras,
os beijos silenciosos dados nas bochechas e barulhentos recebidos nos ouvidos,
porque tudo não passa de singelas lembranças.
A vida, por si só, é uma mala cheia dessas recordações
que vamos carregando por aí. Algumas ficam pelo caminho enquanto outras
insistem em avivar-se tanto - em especial para as pessoas que têm um coração
gigante pulsando no peito, que lutam para desprender-se com mais facilidade de tudo. No
fim das contas, a prisão que parecia ser fechada com grades perpétuas, vai
abrindo umas frestas aos pouquinhos, até chegar uma hora em que o sol irradiará novamente, fazendo que com que tudo não tenha passado de uma simples e doce ilusão.
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