quinta-feira, 24 de abril de 2014

Que não há nada aqui dentro


Queria dizer, afirmar ou até mesmo
berrar aos quatro ventos.
Que não há nada aqui dentro
que me faça mais viva
do que a arte de amar.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

POR FAVOR, É PROIBIDO ESTACIONAR NA VIDA.


            O exagero me estressa profundamente, e quer saber de uma coisa? Vá se ferrar! Quem foi que disse que precisamos viver alienados? Se eu gosto de beber, preciso encher a cara toda a semana. Se gosto de malhar, vivo na academia e não tenho tempo para mais nada. Se estudo, como os cadernos e esqueço de me socializar. Se curto fazer festa, preciso emendar de quarta a domingo - sem falta e todo final de semana. Se gosto de futebol, só não como a bola porque ela não atravessa a televisão ou o jornal. Se arranjo um companheiro, vivo exclusivamente para essa pessoa, esquecendo totalmente de quem sou, do que gosto e o que priorizo.
            Meu Deus, aonde fica o meio-termo nessa história? Será mesmo que não é possível equilibrar toda essa turbulência para sair do olho do furação de vez em quando? É preciso RESPIRAR, socorro! Sabe aquela velha história de que oxigenar o cérebro faz bem? Pois é, então, é mais ou menos por aí que estou tentando me referir. Tenho vontade de sacudir quando escuto alguém vir com aquele tal mimimi de sempre, se limitando ou escondendo-se atrás de ai isso, ai aquilo, ai aquele outro. Eu acho que falta vontade e sobram desculpas esfarrapadas, para ser bem sincera. Não quero projetar meus sonhos em ninguém, tampouco que sejam parecidos comigo, é só que .. queria vê-los voando longe sabe, cada um com o seu desejo e com o seu objetivo, dando a cara a tapa mesmo, sem receio, medo, insegurança ou falta de vontade - principalmente os meus amigos que gosto tanto, pelos quais perco o juízo quando escuto determinadas coisas. Por essas e outras razões que fico assim tão alterada querendo escrever a respeito, porque me dá nos nervos quando vejo-os empacando ou estacionando, aquela velha mania de parar com todo o resto.
            Afinal, dá pra fazer tudo, um pouco de tudo - basta querer. E a tal da vida passa rápido demais, ela não espera a gente se dar por conta disso. Talvez eu tenha tido sorte de conseguir enxergar essa realidade com apenas 20 e poucos anos, ou quem sabe, foram as intermináveis conversas com a minha psicóloga que serviram para abrir os meus olhos para a vida. Não foram duas nem três vezes que a escutei dizer: Luciana, depois que você sair da churrascaria é possível sim ver seus amigos e fazer festa. Você pode muito bem estudar, como também pode se socializar, namorar, ir no cinema ou em shows. Você pode malhar, ler seus livros, fazer faculdade, o curso de inglês, continuar trabalhando com iniciação científica, escrever seus textos e fazer o que mais der vontade - basta se organizar e aprender a priorizar o que for mais importante.           
          Agora, escrevendo a respeito, é como se eu pudesse escutá-la dizendo mais uma vez: sabe de uma coisa Luciana? Sempre tem um amanhã, um outro dia, um outro jogo de futebol, um novo campeonato, uma outra festa interessante, uma pessoa diferente que consequentemente te despertará para coisas diferentes, um outro sonho, um desejo inesperado, uma vontade insana e assim por diante. Tudo se renova, se modifica, se ajusta e se recria. Quando se quer algo de verdade, a gente dá um jeito. Aperta daqui, estica dali e ponto final. O que não dá é pra perder tempo, ou melhor dizendo, continuar perdendo tempo. Hoje, se eu pudesse, dava um choque elétrico em algumas pessoa e ainda tatuava na testa: POR FAVOR, É PROIBIDO ESTACIONAR NA VIDA.           
          Um abraço apertado de alguém que gostou muito de viver no meio do caos, por isso, atualmente tem muita dificuldade de compreender determinadas realidades que se tornaram tão distintas da minha. Talvez por já ter passado muito tempo estacionada, enxergando como se estivesse usando um tapa-olho, assim como os que colocam em cavalos, e não diferente dos animais, eu conseguia olhar só pra frente, não percebendo todo o resto que continuava girando em minha volta sem que eu me desse por conta disso.





sexta-feira, 11 de abril de 2014

Deixe ir.


Deixe ir.
Deixe ir.
Deixe ir.
         O que for verdadeiramente seu, voltará por alguma razão. Não adianta pressionar, insistir e persistir em algo que já passou. Tudo o que acontece conosco sempre acontece por alguma razão, quer aceitamos isso, quer não. Fecha os olhos garota, deixa o cabelo bater no rosto nesta tarde ensolarada de outono e permita que esse ferimento cicatrize de uma vez por todas.
         Onde está aquela energia maravilhosa que emanava de seu corpo entre uma gargalha e outra, hein? Pessoa nenhuma tem o direito de arrancar isso de você. Volta lá, recupere-se, junte os pedaços que ficaram e reerga-se porque definitivamente não vale a pena ficar olhando somente para trás.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mas vou te dizer uma coisa:


       Mas vou te dizer uma coisa: o coração sangra e se recupera com o passar dos dias. A dor vai diminuindo, as lembranças vão se apagando, as inquietações se apaziguam, a tristeza é dividida e a insistência do pensamento em ir sempre atrás da pessoa vai perdendo o foco.  Acredite, as coisas vão se ajeitando com o passar dos dias, é só preciso ter calma. É evidente que machuca, que aquela agonia ultrapassa o espírito de vez em quando e a raiva transparece no rosto, no meu caso, principalmente nas bochechas - em especial a direita que sempre fica mais colorida que a esquerda. 
     Lamento sentir demais, pudera eu ignorar o que sinto, quem sabe assim as coisas seriam mais fáceis para mim também. Ainda assim, estou convivendo com o que sinto, aprendendo a lidar com cada nova emoção que surge, cuidando para não permitir que o impulso responda no meu lugar ou tome conta das minhas atitudes. Estou aqui, firme e forte, ganhando maturidade para não permitir que o medo de me machucar novamente me impeça de tentar ser feliz uma outra vez.
      Ninguém nunca disse que seria fácil, apenas senti que desta vez valeria a pena tentar - embora eu não pudesse imaginar que esse tal do destino às vezes brinca com a gente ao nos apresentar determinadas pessoas.


Num piscar de olhos


         Entre um beijo e outro Alicia sentia o coração acelerar, fazendo com que as veias quase arrebentassem por causa da pressão sanguínea instável. A respiração entrecortada, a fazia desacelerar o ritmo para permitir que o cérebro pudesse ser oxigenado normalmente. Era uma tempestade em sua mente, o calor percorrendo o corpo todo, um legítimo encontrar de almas. Ela não estava enganada, havia finalmente encontrado o que tanto procurava.                  Alicia não pretendia mais desfalecer aos poucos, se pudesse deixava a chama da vida sempre acesa dentro de si - perpetuamente. Havia se entregado como nunca fora capaz de fazer antes, sem receio, insegurança ou paranoias. Ali estava ela, de corpo e alma, sem um pingo de dúvidas. A única coisa que ela não podia imaginar, é que num piscar de olhos as coisas se perderiam pelo caminho, tomando outro rumo, sem que tivessem perguntado a ela como estavam suas emoções diante desta nova situação.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

- Você é feliz?
- Sim, claro que sim, mas ..


E sempre tem um mas, um porém, um todavia, um ainda, um quase lá, um sei lá, um amanhã, um novo dia, uma outra desculpa e assim por diante (eternamente), né?

quinta-feira, 20 de março de 2014

Persuasão

                 
        Gostava de sentar em círculos para debater ideias. Falava com domínio, cuja postura e poder de oratória encantavam qualquer um. Gesticulava com leveza, impondo sua inteligência de tal forma que as pessoas sentiam-se atraídas e admiradas pelo raciocínio complexo e ao mesmo tempo encantador. Sabia escutar com atenção cada opinião adversa à sua, para poder concluir e debater num momento posterior.
         Otávio era onipresente no seu  grupo de amigos ou colegas de trabalho. Tinha vocação e talento para persuasão, isso era inevitável. Sentava-se de tal forma que conseguia enxergar a todos que estavam em sua volta, sempre olhando-os nos olhos. Pensava como mestre e falava como político, envaidecido pela possibilidade de transformar as pessoas em seres melhores. Era audacioso, não queria influenciar somente as pessoas nas quais convivia atualmente, tinha o objetivo de conquistar toda uma nação, por isso não perdeu tempo ao estudar como um louco nos últimos anos até conseguir entender que tudo não passava de um truque, cuja palavra de guerra era persuasão.