O exagero me estressa
profundamente, e quer saber de uma coisa? Vá se
ferrar! Quem foi que disse que precisamos viver alienados? Se eu gosto de
beber, preciso encher a cara toda a semana. Se gosto de malhar, vivo na
academia e não tenho tempo para mais nada. Se estudo, como os cadernos e esqueço
de me socializar. Se curto fazer festa, preciso emendar de quarta a domingo -
sem falta e todo final de semana. Se gosto de futebol, só não como a bola porque
ela não atravessa a televisão ou o jornal. Se arranjo um companheiro, vivo
exclusivamente para essa pessoa, esquecendo totalmente de quem sou, do que
gosto e o que priorizo.
Meu
Deus, aonde fica o meio-termo nessa história? Será mesmo que não é possível
equilibrar toda essa turbulência para sair do olho do furação de vez em quando? É
preciso RESPIRAR, socorro! Sabe aquela velha história de que oxigenar o cérebro
faz bem? Pois é, então, é mais ou menos por aí que estou tentando me referir. Tenho
vontade de sacudir quando escuto alguém vir com aquele tal mimimi de sempre, se
limitando ou escondendo-se atrás de ai isso, ai aquilo, ai aquele outro. Eu
acho que falta vontade e sobram desculpas esfarrapadas, para ser bem sincera. Não quero projetar meus
sonhos em ninguém, tampouco que sejam parecidos comigo, é só que .. queria
vê-los voando longe sabe, cada um com o seu desejo e com o seu objetivo, dando a cara a tapa mesmo, sem receio, medo, insegurança ou falta de
vontade - principalmente os meus amigos que gosto tanto, pelos quais perco o
juízo quando escuto determinadas coisas. Por essas e outras razões que fico
assim tão alterada querendo escrever a respeito, porque me dá nos nervos
quando vejo-os empacando ou estacionando, aquela velha mania de parar com todo o resto.
Afinal,
dá pra fazer tudo, um pouco de tudo - basta querer. E a tal da vida passa
rápido demais, ela não espera a gente se dar por conta disso. Talvez eu tenha
tido sorte de conseguir enxergar essa realidade com apenas 20 e poucos anos, ou
quem sabe, foram as intermináveis conversas com a minha psicóloga que serviram para abrir os meus olhos para a vida. Não foram duas nem três vezes que a escutei dizer: Luciana, depois que você sair da churrascaria é possível sim ver seus amigos e fazer festa. Você pode muito bem estudar, como também pode se socializar, namorar, ir no cinema ou em shows. Você pode malhar, ler seus livros, fazer faculdade, o curso de inglês, continuar trabalhando com iniciação científica, escrever seus textos e fazer o que mais der vontade - basta se organizar e aprender a priorizar o que for mais importante.
Agora, escrevendo a respeito, é como se eu pudesse escutá-la dizendo mais uma vez: sabe de uma coisa Luciana? Sempre tem um amanhã, um outro dia, um outro jogo de futebol, um
novo campeonato, uma outra festa interessante, uma pessoa diferente que consequentemente te despertará para coisas diferentes, um outro sonho, um desejo inesperado, uma vontade insana e assim por diante. Tudo se
renova, se modifica, se ajusta e se recria. Quando se quer algo de verdade, a
gente dá um jeito. Aperta daqui, estica dali e ponto final. O que não dá é pra
perder tempo, ou melhor dizendo, continuar perdendo tempo. Hoje, se eu pudesse, dava um choque elétrico em algumas
pessoa e ainda tatuava na testa: POR FAVOR, É PROIBIDO ESTACIONAR NA VIDA.
Um
abraço apertado de alguém que gostou muito de viver no meio do caos, por isso, atualmente tem muita
dificuldade de compreender determinadas realidades que se tornaram tão distintas da minha. Talvez por já ter passado muito tempo estacionada, enxergando como se estivesse usando um tapa-olho, assim como os que colocam em cavalos, e não diferente dos animais, eu conseguia olhar só pra frente, não percebendo todo o resto que continuava girando em minha volta sem que eu me desse por conta disso.