Conheço
quem enterra coisas com absoluta facilidade. Tapam assuntos, cremam problemas,
viram páginas e esquecem pessoas como se elas nunca tivessem existido. Admito
que tenho imensa admiração por elas porque bem que eu gostaria de conseguir
fazer isso com mais naturalidade. Mas, também
conheço gente que perde tanto tempo remoendo, mentalizando e matutando tudo o
que poderia ter feito diferente, pensando nas ações que deveriam ter sido executadas,
naquelas inúmeras verdades que poderiam ter sido atiradas na cara, como se isso
de alguma forma pudesse voltar um pouco
para quem feriu com tanta agressividade - como um bumerangue que vai e sempre volta. Só que algo que
não foi atirado não tem como voltar, não é mesmo? O tempo passa, nada foi devolvido e tudo continua a machucar, incomodar e inquietar.
Eu realmente detesto
quem ofende, humilha, maltrata com ações e palavras, é prepotente e tem aquela
superioridade grotesca. Repudio quem aponta o dedo na cara demonstrando não se
importar com nada do que é feito. E que pior ainda, de quem gosta de sapatear
nos outros já que precisam massagear seus egos enormes, sedentos. Não admito que quem faça isso não tenha um retorno, isso definitivamente é
inaceitável pra mim. Poxa, chega uma hora em que as coisas explodem, que tu
simplesmente não aguenta mais, que é preciso devolver. Bom se tudo pudesse ser devolvido numa caixa, certamente muitas
bombas seriam enviadas uma depois da outra, e tudo com juros, acréscimos e
correções monetária, só que não dá!
Existe aquela parede imensa que trava, um
bloqueio inútil, um mal muitas vezes necessário. Sempre há um abismo entre a pessoa que se quer ser e a pessoa que se é. Só que pensando bem, não adianta nada
chegar ao extremo e explodir com as pessoas erradas. Talvez esteja na hora de trabalhar melhor isso para conseguir devolver aos
poucos aquilo que consequentemente acaba te corroendo como soda, e principalmente com as pessoas certas. O excesso de
sapos que se engole faz do estômago de qualquer pessoa um brejo escuro,
nojento e que aos poucos precisa ser esvaziado pra não entupir. E isso
não é só comigo ou contigo, é com todo mundo!
A única válvula de escape é conseguir ir
eliminando, vendo em pequenas ações um resultado pensado a longo
prazo. As pessoas nas quais convivemos precisam aprender a ter limites, elas
não podem simplesmente falar e fazer o que bem entenderem. As coisas não são
bem assim, ou não deveriam ser pelo menos. Entre cada pisada há um ser humano,
entre cada desaforo há uma pessoa com uma história que nem sempre conhecemos totalmente
e tampouco entendemos suas lutas diárias. Por isso, se tu não consegue falar na cara,
que escreva uma carta, que mande uma mensagem, que peça para alguém falar por você enquanto ainda falta-te coragem, só não guarda tudo isso!
Guardar desaforos nem sempre é
sinônimo de força, como falar o que incomoda também não significa fraqueza! Sou extremamente
contra a receber pancada sempre e se acovardar. Enquanto puderem te sapatear, certamente o farão, pode apostar! Então pega e fala, mas fala mesmo, fala muito, fala TUDO, FALA DE TUDO!


