quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

É hora de retrospectiva, rebobina comigo?

       
            Só me dei por conta de que o ano estava realmente terminando quando fui ao supermercado. Vendo aqueles incontáveis panetones empilhados um sobre o outro pra tudo quanto é lado, desde chocotone, milhões de derivações, modificações, zilhões de novos produtos até o tal panetone. Foi ali que a ficha caiu, aquele estalo na mente apareceu de que está acabando, mais um ano vai se encaminhando ao fim.
        Já dá pra entrar em contagem regressiva, planejar férias, livrar-se das amarras da faculdade, prosperar coisas novas, brindar com entusiasmo, principalmente conseguir desopilar a mente dessas pendências. De fato, dá pra fazer isso mesmo. Só que ao invés de visar o futuro, agora vou dar uma olhadinha para trás, quero enxergar pelo retrovisor desses 350 e poucos dias que já vivi neste ano porque eles representaram muito, foram bons e ruins momentos de  muito aprendizado que valem a pena serem analisados, relembrados e comemorados.
   Enquanto a maioria pediu dinheiro, muito dinheiro, precisando desesperadamente dele, eu lembro de ter pedido que as coisas se ajeitassem na minha vida, que tudo se encaminhasse. Muitas coisas estavam desconexas para falar a verdade, me sentia incalculavelmente perdida. Ansiava pela minha paz de espírito, precisava encontrar respostas para as perguntas que tinha, coisa que dinheiro algum consegue fazer por ninguém. Admito que nem todas foram respondidas, mas uma luz no fim do túnel foi vista de lá para cá. 
       É estar em paz que preciso, eu sei disso. É saber que estou no caminho certo, que a minha vida tem sentido, que eu sou um ser útil. Não gosto de desperdiçar tempo, de perder vida. Eu quero mais, sempre mais. Meus amigos seguidamente reinam comigo, entre um grito e outro disparam: Te aquieta guria, sossega um pouco. Descansa a cabeça, relaxa essa mente maluca, você está sempre a mil. Eu só tenho a agradecer todo o carinho preocupação. Acontece é que agora não é hora de parar. Tenho muito tempo de correria, estresse e ventania até realmente querer me aquietar - me conheço muito bem quanto a isso, eu ultrapasso os meus limites sem dó nem piedade, se é certo fazer isso também não sei responder.
         Gosto mesmo é de estar ligada no 220w, fazendo diferentes coisas ao mesmo tempo, trabalhando com pessoas interessantes para aprender cada vez mais e mais. Além disso, não gosto de nada que seja meia fase - meio termo me irrita profundamente. Ou faz bem feito ou não faz. Ou te atira de cabeça ou não se envolve então. Assume o compromisso e te dedica ao máximo ou larga fora. Claro que para isso precisei e ainda preciso abrir mão de algumas coisas, deixando uma porção de outros projetos para trás. Não tem erro, opta-se por algo, abandona-se outro e assim sucessivamente até o resto da nossa vida, não é mesmo?
       Enquanto planejo, às vezes esqueço que não tenho o controle de tudo. Entre a linha que traço na mente, há infindáveis curvas que precisam ser feitas, muitas pedras devem ser chutadas ou contornadas, bagagens precisam ser eliminadas para que as novidades posam surgir. É uma batalha diária de longos e intermináveis dias. Se me perguntassem agora sobre o que eu gostaria de aprender, responderia sem pestanejar que queria aprender a estar preparada para a vida, mas acho que isso é impossível. Nunca sabe-se o que vai vir, o que vai ser perdido num piscar de olhos, o que realmente esperar dela. Nem sempre estamos preparados - eu pelo menos nunca estou. Lidar com a perdas é muito difícil, e 2013 foi um ano de grandes perdas, principalmente de pessoas especiais. Umas partiram para um lugar melhor, deixando definitivamente essa vida. No entanto, outras me abandonaram, abriram mão mesmo de mim - o que ainda dói bastante.
     Quando 2013 iniciou, jamais poderia imaginar que largos passos seriam dados, que eu conheceria tanta gente nova e bacana de verdade, me estressaria ou chegaria ao ponto que cheguei. Nem ousaria pensar estar trabalhando com iniciação científica muito menos que eu adoraria dessa forma. Escrever artigos era algo que definitivamente não me passava pela cabeça e tampouco que eu estaria disponibilizando tanto tempo para isso agora. Já havia decido trabalhar fora, entrar de uma vez no mercado de trabalho, sair um pouco das asas dos meus pais, ter as minhas responsabilidades, incontáveis obrigações para cumprir. Aprender a responder por mim mesma foi um dos passos mais importante que dei, não imaginando que seria tão válido como está sendo. Também eliminei várias cadeiras da faculdade, perdi uma quantia considerável de quilos, aprendi a falar o que me incomodava, fiz pequenas loucuras que me fizeram rir demais. 
     E não dá pra esquecer de quem está junto conosco, né? Que graça teria viver sozinha? Eu com certeza não conseguiria. Minha nossa, como é bom encontrar seres humanos incríveis, eu só tenho a agradecer a todos. Não acho justo listar nomes porque quem esteve comigo sabe da sua importância. Cada um ajudou do seu jeitinho, seja com palavras de conforto, me empurrando em projetos pessoais, escutando as minhas lamúrias, as minhas paranoias sem fim, fazendo muita festa comigo, dando choques de realidade quando eu estava precisando, me fazendo ir adiante sem abrir mão de nada, quando nem eu mesma mais acreditava em mim. Sabe como é legal ter alguém que acredita em ti, que te apoia, te guia e te faz encontrar significados para tua vida? Ou várias delas neste caso? Sinceramente não sei como agradecer, nem por onde começar tamanha(s) parceria(s). Todos sabem que sou tão neurótica, paranoica, busco incansavelmente  a maldita perfeição (perfeição no sentido de dar o meu suor, dormir poucas horas, virar noites, teimar desesperadamente para chegar ao melhor de mim mesma), eu sei disso. Sei que nunca irei encontrá-la, mas vou continuar procurando incansavelmente
    Sumo por uns tempos e depois volto, eu sempre volto. Sei que abraçar o mundo é impossível, só que me esqueço disso grande parte dos dias quando me envolver com projetos duradouros. Gostaria de ter todo mundo mais por perto de mim. De colocá-los numa redoma de vidro perpetuamente para não acontecer esses desaparecimentos, os tais sumiços inevitáveis. Prometam não desistir de mim, combinado? Não me abandonem, é só isso que tenho para dizer. Vamos aprender juntos, errar em parceira, viver a vida realizando muitos dos nossos sonhos. Quero que 2014 seja tão bom quanto foi 2013. No final ninguém sabe como vai ser, por isso espero chegar neste mesmo período do ano que vem com muitas coisas interessantes para escrever e compartilhar. 
    Que assim seja.
    Se Deus quiser
    E permitir.
    Amém!

           

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