A
forma como me observava, era como se buscasse por falhas na minha alma, e
talvez as tivesse encontrado ou as reconhecido, marcas que ele havia deixado
ao partir. Olhou-me com cautela muitas outras vezes, e a forma como ele
paralisava ao me ver, deixava–me inquieta. O que será que ele estava pensando?
Essa pergunta atormentava a minha mente inúmeras vezes, e por mais que eu nunca
soubesse a resposta, gostava de
imaginá-la sempre. Não era normal esse tipo de coisa acontecer, eu não
transmitia esse tipo de inquietação para mais ninguém e isso era nítido. Decidi retribuir o olhar calmamente e então nos analisamos perfeitamente. Eles haviam se reencontrado, eu tive essa certeza imediatamente. Não
precisávamos falar nada porque as palavras eram dispensáveis, já que os nossos olhos tinham muito o que conversar e o estavam fazendo naquele momento. Era uma
mistura de alegria e novas perguntas, e eu não fiz questão de me desviar daquilo.
Permaneci intacta e com os olhos paralisados em sua direção por longos e
intermináveis minutos, e se eu pudesse usar uma palavra para descrever aquilo, eu usaria sem sombra de dúvidas paraíso, porque era isso mesmo, um paraíso. Eu não
enxergava todas as outras pessoas que estavam ao meu redor, eu não percebi
quantas me chamavam naquele instante tentando me trazer de volta para a vida real, eu não escutava as conversas paralelas que
estavam a minha volta porque eu só era capaz de analisá-los, belos, grandes e
penetrantes olhos. Entendi que precisávamos nos reencontrar mais vezes, e que
ainda tínhamos muito o que dizer um ao outro. E então voltei ao meu mundo com a
certeza de que necessitava naufragar muitas outras vezes naquele olhar, para encontrar todas as respostas que a minha alma insistia em esconder.
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